O jardineiro fiel
Fazia bastante tempo que eu não ia ao cinema de bobeira e foi uma surpresa muito agradável ver o Ralph Fiennes e não mais ficar hipnotizada pelo nariz dele. Não foi a maquiagem de Harry Potter, mas sim a beleza do filme do Fernando Meirelles, que já deixou de ser novidade há tempos nos cinemas brasileiros. Vale a pena aproveitar a colher de chá e ir ver o filme.
Valeria apenas pelas imagens do Quênia e Sudão ("Estamos prestes a pousar na Lua"), mas o roteiro colabora. Rachel Weiss está magnífica, a história do casal é linda - sim, rolaram lágrimas -, a história das companias farmacêuticas é extremamente crível...
Faz pensar, além de ser um tremendo chute no estômago ver a realidade africana assim, tão cruel. Faz pensar principalmente uma frase que é repetida pelo casal em momentos diferentes: Aqui está uma pessoa que nós podemos ajudar AGORA.
Normalmente passo tanto tempo absorta com os meus próprios problemas que deixo de lado a vontade de participar de iniciativas sociais que vivem pipocando por aí. Existem fatores complicadores, por exemplo a falta de confiança na integridade da maioria das ONGs que se destacam. E também tem a sensação de que nunca vai ser suficiente. Parte de mim sabe que ajudar uma pessoa já seria o suficiente, mas a enormidade dos problemas assusta e desestimula.
No filme, fica claro o dano causado pelo pensamento comodista e pela falta de proximidade entre os diferentes grupos sociais. Quem teria coragem de descartar uma vida com tanta facilidade se a considerasse realmente parte do mesmo grupo? Por que a morte de 10 muitas vezes causa mais choque do que os massacres rotineiros de milhares?
Difícil de encontrar uma resposta satisfatória. Mas só por fazer as perguntas surgirem, o filme já é um espetáculo.
"O Jardineiro Fiel" é premiado no Bifa


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