::lumos:: ::lumos::

Sexta-feira, Dezembro 30, 2005

Should I build a wall?

Eu sou uma moça de sorte.
Descobri isso há dois dias, conversando com a minha família.
Sorte por tê-los do meu lado.
Sorte por ser protegida por eles apenas até o limite do necessário.
Sorte por ter a honestidade deles.
Sorte por contar com a paciência e o carinho deles.
Sorte por ter escapado de tanta coisa sem nem perceber.
Sorte por ter sido ejetada, sem saber, de muita infelicidade e sujeira.

Muita sorte por ter que lidar, pelo menos por enquanto, apenas com o nojinho.

Eu não constumo encarar as coisas dessa forma, mas dessa vez não há como ser diferente. Em 2005 eu mergulhei em situações muito indesejadas. A melhor forma de expressar como esse ano foi ruim é constatando que passei o dia do meu aniversário num enterro de uma pessoa muito querida.

É claro que dá para ficar pior, mas não muito.

E 2006 vai ser o ano do esforço. Esforço para lidar com algumas questões que eu venho adiando há dez anos. Chega mesmo. É preciso deixar algumas coisas no passado, senão a vida fica impossível. Ainda bem que ela ficou impossível quando eu tinha uma verdadeira rede de pessoas que correram para me segurar.

Amo todos e não é por isso. Já amava antes, mas dá gosto ver o carinho nos atos. O cuidado nas palavras. A violência das sacudidas.

Mais uma vez, vem logo 2006. A neve e gelo caem lá fora, mas eu tô quentinha, no ninho. Em quarentena e sorrindo.

Quarta-feira, Dezembro 28, 2005

Chega logo, 2006

Aragorn: Sons of Gondor, of Rohan, my brothers. I see in your eyes the same fear that would take the heart of me. A day may come when the courage of men fails, when we forsake our friends and break all bonds of fellowship, but it is not this day. An hour of wolves and shattered shields, when the age of men comes crashing down, but it is not this day. This day we fight! By all that you hold dear on this good Earth, I bid you stand, Men of the West!

Faramir: I do not believe this darkness will endure.

Segunda-feira, Dezembro 26, 2005

Star Wars: L'expo

Sabe... eu venho para Paris, cidade das luzes, cidade do romance, cidade analógica, antiga, histórica... E só encontro nerdice.

Tipo isso: Exhibition Paris - STAR WARS L'EXPO - Cité des Sciences Paris


A nerdice não conhece limites. Eu e a roupa do Anakin pré-quase-Vader. Sim. A. ROUPA. QUE. O. HAYDEN. USOU.  Posted by Picasa

Obrigada, era só isso que eu tinha a dizer.

Sábado, Dezembro 24, 2005

C'mere

Tentei fazer de cabeça uma lista das 10 coisas boas que rolaram em 2005.

Não lembro.

Eu sei que elas aconteceram em algum momento.

Mas eu não me lembro de nada.

Noel chuvoso

Chove lá fora e o prédio está todo apagado. Minha família dorme, quentinha, no aposento ao lado. Não houve festa, mas sim uma ceia improvisada em casa. Ninguém falou em natal. Passei o dia caminhando muito, freneticamente, vencendo bairros e ruas inteiras. Não me cansou, fui vencida pelo frio.

Às vezes eu deliro, achando que o frio vem de dentro. Come here, sugar. Minha respiração sai como fumaça branca no ar da cidade, discretamente poluída. Comi mais um doce monumental ao passar pela Rue des Valois. Vi um milhão de coisas que não me servem de nada, já que não posso mostrar.

Reparei nas lojas especializadas em RPG com os dados oficiais de Vampire. Vi os marchands de art do Rive Gauche que vendem quadros que eu nunca vou entender. Passei pela loja do Lacroix e a FNAC Digital. Too many years built into memories.

Não tenho mais nada a fazer. Sonho com o próximo domingo, cheia de esperança de que a meia-noite vai trazer algum milagre, tornando o mundo completamente diferente. Mas que meia-noite, a daqui ou a do coração? O coração está numa ilha tropical e se revolta com as lãs, o cachecol, as luvas e as meias sobrepostas.

Penso nos mosquitos dos trópicos e tenho a certeza de que eles incomodam menos do que a coceira nervosa, tique desagradável e nojentinho que desenvolvi em São Paulo.

Não quero pensar em São Paulo. É apenas um dos pensamentos que eu não quero ter, mas tenho.

Ainda bem que a minha família dorme. Já eu não consigo dormir. Um DVD de clipes me espera. Um DVD que eu estou adiando ver, mas que tive que comprar. Ainda é melhor do que dormir. O silêncio e os olhos fechados me trazem pensamentos ruins. Lembranças, saudades, raiva, lágrimas, tristeza, sorrisos, suspiros.

Eu finjo que não, mas sei bem que ainda vai demorar muito para 2005 acabar.

+++

Fool enough to almost be it
Cool enough to not quite see it
Doomed
Pick your pockets full of sorrow
And run away with me tomorrow
June
We'll try and ease the pain
But somehow we'll feel the same
Well, no one knows
Where our secrets go
(...)
And I fail
But when I can, I will
Try to understand
That when I can, I will
Mother weep the years I'm missing
All our time can't be given Back
Shut my mouth and strike the demons
That cursed you and your reasons
Out of hand and out of season
Out of love and out of feeling
So bad
(...)
Fool enough to almost be it
And cool enough to not quite see it
And old enough to always feel this
Always old, I'll always feel this

Quarta-feira, Dezembro 21, 2005

A cidade das luzes

Preciso de luzes nesse final de ano.
Preciso do ar gelado e do cansaço nas pernas.
Preciso ainda mais das 15 horas seguidas de sono.
Preciso de tudo que não me deixe mais precisar do que não existe.
Preciso esquecer.

+++

Paris é talvez a cidade mais bela do mundo. Andar na rua já é um privilégio, olhar os prédios e as pessoas. Roupas elegantes, maquiagem bem feita, narizes vermelhos. Pessoas que contém todas as possibilidades em seus rostos desconhecidos. Pessoas que são novos mundos que, temo, jamais vou explorar.

Não consigo. Não consigo.

Gaguejo, fico vermelha, vou embora.

Não consigo mais.

Os grilhões que me prendem por dentro continuam firmemente no Brasil. E, portanto, eu também.

Acho irônico me descobrir errada mais uma vez.

Eu só queria um pouco de alívio.

Quinta-feira, Dezembro 15, 2005

Leaving without you

Daqui a exatamente oito horas começa a maratona: Brooklin, Osasco, Brooklin, Congonhas, Santos Dummont, Centro, Copacabana, Leblon, talvez Botafogo, talvez Ipanema, Copacabana, cama. Copacabana, Botafogo, Barra.

E da Barra, nem eu sei.

Só sei que até as 16hs de segunda-feira, dia 19, ainda há muitos quilômetros a percorrer. Periga até rolar uma passagem por Vargem Grande.

E daí eu me pergunto: por que?

Eu mesma respondo: qual é a alternativa?

É, antes do dia 20 de dezembro eu vou ter pago TODOS os meus pecados. Com juros e correção monetária.

Enquanto isso, atchô. Snif. Ai. Ui. Atchô.

Paris, France(Ile-De-France) Forecast

Faltam apenas quatro dias, mas eu já estou gripada por antecipação

Tuesday, Dec 20
A blend of sun and clouds High: 5° C RealFeel®: 3° C
Tuesday Night: Partly cloudy Low: 1° C RealFeel: 1° C

Wednesday, Dec 21
Times of sun and clouds High: 4° C RealFeel: 1° C
Wednesday Night: Mostly cloudy and cold Low: -2° C RealFeel: -5° C

Thursday, Dec 22
Clouds and sunshine High: 2° C RealFeel: -3° C
Thursday Night: Partly cloudy and cold Low: -3° C RealFeel: -9° C

Friday, Dec 23
Very cold with times of clouds and sun High: 0° C RealFeel: -8° C
Friday Night: Partly cloudy and cold Low: -4° C RealFeel: -9° C

Saturday, Dec 24
Cloudy and cold High: 0° C RealFeel: -4° C
Saturday Night: Partly cloudy and cold Low: -3° C RealFeel: -6° C

Cortesia Accuweather

Terça-feira, Dezembro 13, 2005

Burra

Hoje eu me lembrei de uma época pré-histórica, quando eu escrevia no Burras pra caralho. Hahahaha. Eu SABIA como o mundo era e não mesmo assim não aprendi nada. tsc tsc tsc. Talvez seja hora de voltar para lá...

Os braços. As manchas. "Never again".

I'm coming out of my cage
And I’ve been doing just fine
Gotta gotta gotta be down
Because I want it all
It started out with a kiss
How did it end up like this
It was only a kiss, it was only a kiss
Now I’m falling asleep
And she’s calling a cab
While he’s having a smoke
And she’s taking a drag
Now they’re going to bed
And my stomach is sick
And it’s all in my head
But she’s touching his—chest
Now, he takes off her dress
Now, let me go

I just can’t look its killing me
And taking control
Jealousy, turning saints into the sea
Swimming through sick lullabies
Choking on your alibis
But it’s just the price I pay
Destiny is calling me
Open up my eager eyes
‘Cause I’m Mr Brightside

I never...
I never...
I never...

Segunda-feira, Dezembro 12, 2005

A insustentável leveza da exaustão

Não adianta espernear, chega um momento em que o ser humano precisa dormir (como diria a Lia). É uma pena. Não dormir tem suas inegáveis vantagens, especialmente durante um fim de semana agitado no Rio.

Nada de boates. Apenas amigos. Amigos e bobagens. Amigas e carinho. Novas amigas e confissões. Almoços. Bares. Apartamentos. Ceia de natal antecipada. Mais amigos. Amigos virtuais virando carne e osso.

Carinho.

Testar limites de longe. Praia. Cantadas de sorveteiros. Risadas. Lembranças. A primeira mulher ejetável de um carro!

Que o Rio venha logo de novo. Agora falta pouco. Obrigada, obrigada, obrigada.

Sexta-feira, Dezembro 09, 2005

Like drinking poison, like eating glass (Cortesia do Michaelis)

es.qui.zo.fre.ni.a sf Med (esquizo+ freno+ ia1)
Psicose em que o doente perde o contato com a realidade, e vive num mundo imaginário que para si próprio criou; substitui a antiga denominação de demência precoce.

ab.ne.ga.ção sf (lat abnegatione)
1 Ato de abnegar. 2 Abandono; altruísmo; desprendimento. 3 Desprezo ou sacrifício dos próprios interesses para atender ou satisfazer as necessidades alheias. Antôn: egoísmo.

e.go.ís.mo sm (ego3 +ismo)
1 Qualidade de egoísta. 2 Amor exclusivo de sua pessoa e de seus interesses. 3 Conjunto de propensões ou instintos adaptados à conservação do indivíduo. 4 Comodismo. Antôn (acepções 1, 2 e 3): altruísmo; (acepção 4): abnegação.

co.mo.dis.ta adj e s m+f (cômodo+ista)
Diz-se da, ou a pessoa que atende principalmente às suas comodidades.

so.frer 1 (lat sufferere, corr de sufferre)
vti e vint 1 Padecer dores físicas ou morais: Sofria de enxaquecas. Sofria no seu orgulho. Muito sofrem por ela. Sofre e chora. vtd 2 Agüentar, suportar, tolerar: Sofrer insulto, sofrer perseguição. vtd 3 Admitir, consentir: Não sofrer contestação. vtd 4 Experimentar, receber: "...o imperfeito do conjuntivo da língua latina... se manteve em português... sem sofrer outras transformações fonéticas do que as normais" (Carolina Michaëlis). vint 5 Padecer com paciência: Sofre e nunca se queixa. vti e vint 6 Experimentar prejuízos; decair: A moral sofre com o escândalo. Sofrem a indústria, a pecuária e o comércio. vpr 7 Agüentar-se, conter-se, reprimir-se, sofrear-se. Sofrer morte e paixão: padecer dores atrozes; ter grandes contrariedades. Sofrer o martírio: padecer horríveis dores físicas ou morais. Sofrer o pairo: agüentar o temporal; resistir bem. Sofrer quebra: o mesmo que dar quebra.

dor 1 sf (lat dolore)
1 Med Sensação desagradável ou penosa, causada por um estado anômalo do organismo ou parte dele; sofrimento físico. 2 Sofrimento moral. 3 Dó; pena, compaixão. 4 Remorso: A dor dos pecados. sf pl pop Os sofrimentos do parto. D. cansada: dor surda, nem forte nem aguda. D. ciática: nevralgia no grande nervo ciático, localizada geralmente na parte posterior dos quadris e às vezes em toda a perna. D. de alma: grande sentimento pelas desgraças próprias ou alheias. D. de barriga: enteralgia. D. de cadeiras: dor lombar ou sacrolombar. D.-de-canela: dor-de-cotovelo. D.-de-corno: dor-de-cotovelo. D.-de-cotovelo: despeito amoroso; ciúme. D.-d'olhos, pop: nome genérico de várias afecções oculares: conjuntivite, blefarite, tracoma etc. D. fulgurante: dor intensa e rápida. D. vagas: nevralgia errática. Dar dor de cabeça: dar aborrecimento. Tomar as dores por alguém: ficar uma pessoa sentida com ofensa feita a outra, assumindo-lhe a defesa; doer-se por.

sau.da.de sf (lat solitate)
1 Recordação nostálgica e suave de pessoas ou coisas distantes, ou de coisas passadas. 2 Nostalgia. 3 Ornit Pássaro muito atraente da família dos Cotingídeos ( Tijuca atra); assobiador. 4 Bot Nome com que se designam várias plantas dipsacáceas e suas flores; escabiosa. 5 Bot Planta asclepiadácea ( Asclepias umbellata). sf pl Lembranças, recomendações, cumprimentos. S.-da-campina: o mesmo que cega-olho, acepção 1. Saudades-de-pernambuco: o mesmo que jitirana-de-leite. Saudades-perpétuas, Bot: planta da família das Compostas ( Xeranthemum annuum).

a.mor sm (lat amore)
1 Sentimento que impele as pessoas para o que se lhes afigura belo, digno ou grandioso. 2 Grande afeição de uma a outra pessoa de sexo contrário. 3 Afeição, grande amizade, ligação espiritual. 4 Objeto dessa afeição. 5 Benevolência, carinho, simpatia. 6 Tendência ou instinto que aproxima os animais para a reprodução. 7 Desejo sexual. 8 Ambição, cobiça: Amor do ganho. 9 Culto, veneração: Amor à legalidade, ao trabalho. 10 Caridade. 11 Coisa ou pessoa bonita, preciosa, bem apresentada. 12 Filos Tendência da alma para se apegar aos objetos. Antôn: aversão, ódio. sm pl 1 Namoro. 2 O objeto amado. 3 O tempo em que se ama. 4 Relações ilícitas, comércio amoroso. 5 Mit Divindades subordinadas a Vênus e Cupido. 6 Bot O mesmo que carrapicho, acepção 11. 7 V carrapicho-grande. A.-agarradinho, Bot: trepadeira da família das Poligonáceas ( Antígonon leptopus), originária do México, muito cultivada nos jardins brasileiros com fins ornamentais. A.-crescido, Bot: o mesmo que cavalheiro-das-onze-horas. A. lésbico: o mesmo que safismo. A. livre: relações sexuais ou coabitação sem casamento legal. A. platônico:relação estreita entre duas pessoas de sexo oposto, sem realização de atos sexuais. A.-seco, Bot: o mesmo que carrapicho-de-beiço-de-boi. Pelo amor de Deus: usa-se quando se pede com encarecimento. Por amor à arte: gratuitamente, sem nenhum interesse. Seja tudo pelo amor de Deus: exclamação com que se manifesta conformidade ou tolerância com o impróprio ou com o desagradável. Ser do amor, gír: só quer saber de prazeres sensuais.

de.cep.ção sf (lat deceptione)
1 Ação de enganar. 2 Surpresa desagradável. 3 Desilusão. 4 Logro.

cul.pa sf (lat culpa)
1 Ato repreensível ou criminoso. 2 Responsabilidade por um ato ou omissão repreensíveis ou criminosos:"Culpa é toda violação de um dever jurídico" (C. Beviláqua). 3 Conseqüência de se ter feito o que não se devia fazer. 4 Delito, crime. 5 Causa de um mal. 6 Pecado.

de.ses.pe.ro sm (ê)
( der regressiva de desesperar) 1 Ato ou efeito de desesperar; desesperação, desesperança. 2 Aflição, angústia, ânsia. 3 Ódio, cólera. 4 Contrariedade, desprazer, aborrecimento. 5 Coisa insuportável ou que faz desesperar.

Quarta-feira, Dezembro 07, 2005

Sel-fish

Hoje eu descobri que, às vezes, é necessário fazer alguma coisa por mim mesma. É até saudável.

Não é verdade dizer que eu nunca faço nada por mim mesma. Mas dificilmente faço conscientemente.

Que alívio.

Agora eu não tenho mais as muletas. Nem as desculpas. E posso dormir sem ajuda especializada, se tiver sorte.

Quero fechar 2005 sem loose-ends. Quero fechar 2005 e nunca mais ter que visitá-lo.

now playing: Nina Simone - Love Me or Leave Me

Terça-feira, Dezembro 06, 2005

*tear*

there's something in the air there
makes you go insane
brings you back to me
It's been so long
all that I have to do is live along
It's coming
coming down over me
Do you want to see the explosions in my eye?
Do you want to see the reflection of how we used to be?
Beauty lies in the eyes of anothers dreams
Beauty lies lost in anothers dream
it's coming
coming down over me
Do you want to see the explosions in my eye?
Do you want to see the reflection of how it used to be?
hey baby
hey sweetheart
hey fox come here
hey beautiful
come here sugar

Epifania

Descobri: a astrologia era a psicologia humana pré-Freud.

O jardineiro fiel

Fazia bastante tempo que eu não ia ao cinema de bobeira e foi uma surpresa muito agradável ver o Ralph Fiennes e não mais ficar hipnotizada pelo nariz dele. Não foi a maquiagem de Harry Potter, mas sim a beleza do filme do Fernando Meirelles, que já deixou de ser novidade há tempos nos cinemas brasileiros. Vale a pena aproveitar a colher de chá e ir ver o filme.

Valeria apenas pelas imagens do Quênia e Sudão ("Estamos prestes a pousar na Lua"), mas o roteiro colabora. Rachel Weiss está magnífica, a história do casal é linda - sim, rolaram lágrimas -, a história das companias farmacêuticas é extremamente crível...

Faz pensar, além de ser um tremendo chute no estômago ver a realidade africana assim, tão cruel. Faz pensar principalmente uma frase que é repetida pelo casal em momentos diferentes: Aqui está uma pessoa que nós podemos ajudar AGORA.

Normalmente passo tanto tempo absorta com os meus próprios problemas que deixo de lado a vontade de participar de iniciativas sociais que vivem pipocando por aí. Existem fatores complicadores, por exemplo a falta de confiança na integridade da maioria das ONGs que se destacam. E também tem a sensação de que nunca vai ser suficiente. Parte de mim sabe que ajudar uma pessoa já seria o suficiente, mas a enormidade dos problemas assusta e desestimula.

No filme, fica claro o dano causado pelo pensamento comodista e pela falta de proximidade entre os diferentes grupos sociais. Quem teria coragem de descartar uma vida com tanta facilidade se a considerasse realmente parte do mesmo grupo? Por que a morte de 10 muitas vezes causa mais choque do que os massacres rotineiros de milhares?

Difícil de encontrar uma resposta satisfatória. Mas só por fazer as perguntas surgirem, o filme já é um espetáculo.

"O Jardineiro Fiel" é premiado no Bifa

He's got a TV Eye on me

o último sábado eu realizei uma das minhas maiores fantasias do rock, que era ver o senhor Iggy Pop ao vivo. Ele foi além do que eu poderia esperar, agindo exatamente como se ainda tivesse 18 anos. Os cabelos loiros esvoaçantes e mal pintados, a calça de cintura bem, bem baixa...

Meu problema com o Iggy Pop é que tenho dificuldade de separar a realidade da ficção. Olho para ele e me lembro de Curt Wild, personagem do Ewan McGregor em Velvet Goldmine. E como o homem dos meus sonhos sempre foi o Curt Wild, que foi inspirado no Iggy Pop da era glam... Ai.

Foi sensacional desde o primeiro momento em que eu vi a figura sem camisa entrar no palco, já se sacodindo todo. Não havia concorrência, Iggy preenchia o palco todo, corria, pulava, se esfregava, mostrava o cofrinho... E daí veio I wanna be your dog e eu não vi mais nada, ocupada em pular como estava. Pulei, pulei, gritei, suei, exorcisei muita coisa naquela hora e pouco de show.

Eu via o Iggy, enrrugado e com corpinho de 18, mas via também toda a febre Curt Wild que tive em 2000 e 2001. Em TV Eye, até os *gestos* foram parecidos. Realmente, mérito do filme que conseguiu capturar o jeito de cantar do Iggy, toda a violência no palco.

O único problema do show foi acabar. Catei o setlist do especial do site do Claro que é Rock:

"Loose"
"Street"
"1969"
"I Wanna Be Your Dog"
"TV Eye"
"Dirt"
"Real Cool"
"No Fun"
"1970"
"Mindroom"
"Fun House"
"Skull Ring"
"Dead Rock Star"
"Doll"
"I Wanna Be Your Dog"
"Not Right"

As cool as Kim Gordon

Eu sempre tive uma relação complicada com o Sonic Youth. Sempre gostei - e muito - do som, das letras, mas faltava aquele cordão umbilical que faz de determinadas bandas deuses no mundo particular de cada um. Isso, é claro, até o dia 10 de maio de 2002, quando o SY entrou na minha sem anunciar, sem pretensões.

A noite mais linda que já vivi foi ao som de Murray Street. Depois, eu passei incontáveis horas deitada num colchão azul lendo lábios que cantavam para mim Beauty Lies in the Eye ("Hey Beautiful, hey fox, come here") e Shadow of a Doubt ("Kiss me"). O Sonic Nurse chegou ainda com menos pretensão e tomou um vulto tão grande que foi um choque ouvir aqueles sons ao vivo.

O show do SY no Claro que é Rock de São Paulo foi emocionante, lindo e empolgante. Me contentei a ficar com uma boa visão do palco e agradecer silenciosamente pelas pessoas que conseguiam pular e mostrar à banda o quando os apreciamos. Às vezes ficar sentada num show não quer dizer, em absoluto, não gostar. No meu caso, foi gostar tanto que minhas pernas tremiam de frio e nervoso.

E a Kim Gordon? Isso sim é uma mulher de estilo. Sensacional a presença de palco dela, a voz, a roupa, tudo. Nunca uma mulher relativamente feia foi tão bonita, sexy e interessante. Ela divide o trono de grande dama do rock com a PJ Harvey, só que Kim é a loira gelada.

Achei o setlist, fora da ordem e possivelmente bem incompleto, no fórum do site oficial. Parece que é o único lugar onde alguém anotou...

I Love You Golden Blue
Pattern Recognition
Stones
Skip Tracer
New Hampshire
Bull in the Heather
Schizophrenia
Unmade Bed
Drunken Butterfly
Mote
Pacific Coast Highway
Teenage Riot

Segunda-feira, Dezembro 05, 2005

Thin, stretched, like butter scraped over too much bread.

Quem quebra primeiro, a cabeça ou o coração?
E quando quebra, tem jeito?
E, se tem jeito, por que quebra?
E se quebra, por que tentar colar?
E se não tentar?
E se parar tudo?
E se for só isso que sobrar?
E se não valer mais a pena?
E se não houver mais espaço para “e se”?