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Quarta-feira, Fevereiro 22, 2006

Extremos 1

Ontem fiquei sabendo que a proprietária do apartamento em que eu moro atualmente faleceu depois de uma doença grave. Ela não era velha e tinha duas filhas pré-adolescentes, além de seus pais ainda estarem vivos.

Eu mal a conhecia, mas senti tanto pela família, senti tanto porque ela foi legal e simpática comigo e com a Michelle quando a gente precisou mais. Claro que ela não foi assim por pura bondade do coração, mas ela não precisava ter facilitado tanto, agilizado tanto. E eu conheci as filhas e a mãe da falecida, fico imaginando a dor da família com base na dor que vi na minha família sempre que perdemos alguém.

Lembrei muito do meu tio-avô, que faleceu ano passado, e da minha avó, que faleceu há dez anos no dia 06 de janeiro de 1996. A saudade não passa, mas a dor acalma com o tempo. É claro que, no dia impensável que meus pais se forem, as coisas vão ser infinitamente piores.

A morte é uma coisa estranha. Uma hora a pessoa está ali, no próximo segundo ela não existe mais e nunca mais vai existir. Não há nada mais definitivo do que a morte e também nada mais inevitável. Por mais que a literatura nos faça sonhar com as exceções, os highlanders, isso não é parte da realidade.

E amar alguém significa correr o risco, todos os dias, de perder para sempre essa pessoa num piscar de olhos completamente sem sentido ou explicação. Um acidente estúpido pode roubar, em questão de minutos, um mocinho inteligente de 21 anos que só queria tomar um banho bem quente.

E daí, puf, nunca mais.

Não é verdade quando andei dizendo que preferia ver determinadas pessoas mortas do que na degradação extrema a que chegaram. Não é verdade mesmo. Eu vi pessoas degradadas escolherem a morte e a tristeza é tão grande ou maior do que num caso natural. E, enquanto há vida, há oportunidade de mudar. Basta escolher.

Eu tô tentando de verdade. Mas fico triste por não poder fazer absolutamente nada pela família da minha xará falecida, que merecia pelo menos pêsames. Não consegui ligar, por mil e uma confusões.

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