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Terça-feira, Fevereiro 21, 2006

A odisséia continua

Continua a saga por um apartamento em São Paulo. Aparentemente, o problema é que estou atrasada. Dois meses atrasada, para ser mais exata. São Paulo recebe muita gente de todos os cantos do Brasil, especialmente um pouco antes do começo do ano letivo nas universidades mais conceituadas do país. Por isso, os apartamentos de um ou dois quartos pequenos são todos alugados em Janeiro, quando os crânios que passam na USP vêm morar em Sampa.

Saber disso agora não ajuda muito, mas saber disso na época também não teria ajudado. Eu não tenho fôlego financeiro para manter dois apartamentos alugados durante dois meses. Simplesmente não há dinheiro que chegue. Mas há, é claro, opções agora. Só que elas são como a chepa, até dá para achar alguma coisa fresca, mas é preciso procurar muito e ver muita coisa podre antes disso.

Não sei bem como explicar a pressão que é ter prazo para encontrar uma nova casa. Eu até dei sorte de me prevenir e começar a procurar cedo, ainda tenho três fins de semana úteis para andar pela cidade ou chegar a algum acordo. Mas são só três fins de semana úteis. São só alguns dias e cada um deles me deixa mais perto de aceitar qualquer coisa, até mesmo os apartamentos que parecem ter sido construídos em cima de cemitérios indígenas.

Como podem os arquitetos e engenheiros projetarem tais aberrações? O que leva uma pessoa a achar que esses apartamentos, que felizmente não tenho como mostrar, são viáveis como habitação humana? Claro, o ser humano é um animal extremamente adaptável. Mas existem conseqüências relacionadas a essas adaptações, como as mil e uma neuroses que a sociedade desenvolveu ao longo dos séculos. Morar em pombal NÃO AJUDA, gente!

Enfim, bola para a frente. Vou ver um que parece ótimo de dois quartos essa semana. Quem sabe, né?

++++

São Paulo parou por causa do U2. Não chegou a ser o Rio em 1998, mas São Paulo parou. E eu, que só queria chegar no Balcão, penei. Mais uma vez rolou a infindável odisséia até a civilização.

Argh.

Não vejo a hora de ter meu canto, um lugar onde eu possa criar um clima de paz. Um lugar onde eu possa, sim, me esconder quando necessário. Um lugar de silêncio e chá verde com menta.

E, claro, um lugar onde eu possa fazer a decoração. Não tenho a menor idéia de como se faz isso, mas parece divertido. Mal posso esperar. Um dia o purgatório há de acabar.

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