Helenan

  • "What power would Hell have if those imprisoned there were not able to dream of Heaven?" - Sandman
  • "Et Earello Endorenna utulien. Sinome maruvan ar Hildinyar tenn' Ambar-metta" - Aragorn

Odisséia

Feb 2nd, 2006 by HelenaN

Todas as vezes em que tenho vontade de participar ativamente da vida cultural paulistana, preciso antes enfrentar uma odisséia. Ela começa, invariavelmente, em um ônibus. Minto. Em um ponto de ônibus. Às vezes o ônibus demora até meia-hora para passar. Em dias de sorte, é o ônibus que me deixa direto na Av. Paulista. Mas nem sempre funciona assim. Muitas vezes o que vem primeiro é o ônibus até o metrô Santa Cruz, o mais próximo da minha casa atual.

E daí, dependendo do destino final, preciso combinar ônibus com metrô, ônibus com metrô e ônibus, ou só ônibus. Mas nunca leva menos de 40 minutos, sem engarrafamento.

Isso não é uma vida aceitável para uma carioca nascida e criada na Zona Sul.

Me mudo em março, ainda não sei para onde. Mas certamente será para algum lugar onde essa odisséia será bem menos freqüente. O sonho é morar no Jardins. Não precisa ser num local chique, só perto das coisas que eu amo. Um lugar em que eu possa andar até a Augusta e os cinemas da Paulista, mas ainda seja um pouco mais tranquilo. Que seja agradável.

Nos dois últimos sábados, visitei um total de 20 apartamentos de 1 “dormitório”, também conhecido como “quarto”. Sei lá porque escolheram a palavra, mas os porteiros não entendem se eu pergunto “Quantos quartos tem o imóvel?”.

Vi muito lixo. Muito lixo mesmo. Apartamentos de 1 quarto parecem ter uma maldição. As pessoas acham que, só porque você quer morar sozinho, não precisa morar bem. Será que é um complô para estimular as pessoas a casar e alugar um de 2 quartos? Hm.

A maioria é bem pequeno, o que não chega a ser horroroso. O maior problema é a falta de ventilação adequada, apartamentos virados para o sol da tarde, ou que não recebem sol nunca. Também tem os prédios no centrão que, além de ter 897451098473 pessoas por andar, abrigam negócios clandestinos de natureza sexual. Me chamem de fresca, mas eu realmente não acho ideal morar porta a porta com moças que recebem clientes ali.

Argh.

E tudo é tão caro. Qualquer buraco é caro. Buracos onde eu não guardaria meu lixo são caros. E longe. O problema da localização em São Paulo é crítico. Assim como odisséias para a diversão são ruins, odisséias para trabalhar são péssimas. Então eu fico limitada ao lado sul da Paulista, justamente o lado mais caro.

Eu tentei na Frei Caneca, do outro lado da Peixoto Gomide… até mesmo na Itapeva. Mas de lá até o trabalho eu levaria umas boas 2 horas na hora do rush. Aí não, né? Prefiro pagar mais e viver.

Veremos. O apê mais promissor até o momento fica na Alameda Lorena com a Pamplona. Mas tem também um em obras na Rua Sílvia. Preciso avaliar a logística da coisa ali. E tem dois na José Maria Lisboa, esquina com a Brigadeiro Luís Antonio. Barulhentos, mas prometem ser bons. Prédio antigo, pouca gente.

Sábado que vem tem mais.