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Sexta-feira, Maio 26, 2006

Ying e Yang

Vivo ouvindo gente falar que é preciso pensar positivo ou nos malefícios do pensamento negativo, do pessimismo.

Mas, otimista ou pessimista, isso não muda o fato que coisas boas e horríveis acontecem com todo mundo. Todo mundo vai perder pessoas e ter algum tipo de prazer. Alguns mais para um lado, outros mais para o outro, sem nenhuma justificativa aparente.

Não vejo o mundo recompensar os bons e nem necessariamente punir os maus. Tem gente ruim que se dá bem e gente boa que se dá muito mal. E o contrário também é verdadeiro. No fim, tem de tudo no mundo, tudo mesmo.

Ser otimista não impede ninguém de passar por situações ruins. Só dá uma perspectiva diferente durante esses momentos. Talvez a pessoa não mergulhe tão fundo, não se perca na tristeza. Da mesma forma, talvez os pessimistas não consigam sentir a euforia da felicidade de forma tão completa, por sempre terem a capacidade de ver problemas.

Isso não muda a máxima de que shit happens.

Então você pode escolher se vai conseguir ver a beleza das curvas perfeitas de um cocô fedegoso ou se vai sentir intensamente o cheiro nauseabundo. Mas ainda vai ser cocô, de uma forma ou de outra.

Acho que é uma questão de precisar de conforto ou não. Algumas pessoas encontram conforto na esperança de dias melhores. Outras, na certeza de que o mundo é um lugar ruim onde apenas coisas ruins acontecem.

Conviver com pessimistas radicais e uma otimista ferrenha me deu uma perspectiva um pouco diferente. Eu vi para onde o pessimismo pode levar uma pessoa, mas será que esse não teria sido o caminho mesmo com uma atitude diferente?

É o caso clássico do final de Antes do amanhecer, citado no Antes do pôr-do-sol: os fatos não oferecem nenhuma conclusão, são as pessoas com suas personalidades diferentes que dão a interpretação individual e intransferível a eles.

1 Comentários:

Às 26 de Maio de 2006 14:51 , Anonymous Tato disse...

Eu compartilho da tua idéia. Alguns podem tratar como se fôsse niilismo, mas prefiro ver como realismo. Enxergar o mundo da maneira que ele é, sem fazer mais nem menos de fatos ou fotos.
Talvez, se as pessoas dedicassem um pouco mais de tempo ao auto-conhecimento...

 

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