Nostalgia
Às vezes acho que nunca haverá um ano como 2001. Neste período minha vida teve de quase tudo, o bom e o ruim completamente entrelaçados e inseparáveis. Diversão, muita diversão. Extremos e experiências. Eu gostaria de dizer que lembro de 2001 como o ano sem limites, mas os leitores vão logo começar a imaginar orgias, bebedeiras e bungie jumping, o que não é exatamente o que aconteceu.
Foi um ano em que meu cérebro não se sentia controlado nem tolhido por limites artificiais. Eu ACHAVA que fazia o que queria, dizia o que pensava, agia como se não houvesse ninguém olhando. E acreditar nisso me bastava.
Em 2001 conheci boa parte dos amigos que hoje são parte da família. Digo amigOs porque a maioria era composta de homens. E ontem um deles, do qual tenho infinito orgulho, mas com quem já não convivo tanto, fez um post no seu blog chique usando uma foto minha e falando de algumas das pessoas mais queridas que conheço.
O JP ontem encheu meus olhos de lágrimas de saudades, felicidade e simples nostalgia com o post sobre a geração de músicos-escritores do Rio de Janeiro. Na ordem da foto (esq. para dir.): Jazzmo, Ciça, JP, Márvio e Nix, estão na foto tirada por mim numa noite quente de 2001.

Estávamos no Empório comemorando o prêmio que Márvio acabava de ganhar por um de seus poemas. Eu ainda não tinha tido nem um terço dos papos cabeça com o Jazzmo, ainda não tinha ouvido a Ciça cantar blues, ainda não tinha lido nada do que o JP escrevia. O Márvio ainda andava pela noite carioca vestido de jogador de futebol e o Nix não fumava nem bebia. Éramos apenas jovens cariocas que amavam rock e a boemia. Éramos todos kamikazes de formas diferentes.
Eu fico feliz e triste de não estar nesta foto. Feliz porque seria uma exceção entre artistas, triste porque gostaria de poder me ver ao lado deles e lembrar do começo. É também uma das minhas fotos preferidas e, felizmente, os anos não conseguiram diminuir minha admiração por cada um dos presentes. O resumão de histórico dado pelo JP basta para ver que em cinco anos ninguém ficou parado.
Me emocionei ao lembrar que, apesar dos corações partidos e das confusões, éramos felizes e eu sabia. Neste ponto não posso falar pelos outros, mas eu sabia. Aproveitei cada segundo daquela vida nova e cheia de gente interessante. O clima era de que todos iriam estourar meteoricamente a qualquer momento. Eu era jovem e acha que era assim que acontecia.
Em 2001, havia a sensação nítida de que absolutamente tudo era possível. E talvez isso seja o que eu mais sinta falta.
+++
Orgulho dos amigos:
1. Amanhã tem lançamento do primeiro CD do Cabaret em São Paulo. O show acontece no Studio SP por volta da 1 da matina. No site da casa tem mais informações, como endereço, preço, promoções etc. O CD será vendido no local!
2. O Fred Leal contribuiu com o livro/revista 300 filmes para você ver antes de morrer, que está nas bancas do Rio e SP. "O título é bem explicativo: 300 filmes FODAS, mais um monte de informação extra: gêneros, listas, teorias, biografias, e tudo aquilo que um cinéfilo precisa ter decorado pra não fazer feio nos Espaço Unibanco e Mostra CCBB da vida."
3. Ainda sobre o Cabaret: a Lia Amancio escreveu sobre os meninos no segundo número da Rolling Stone brasileira. E ainda tem o Iggy Pop na capa!
4. O Nix criou um blog para contar como está sendo a produção do seu primeiro curta-metragem!
Marcadores: Blá blá blá, Família, Rio de Janeiro


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