O chamado selvagem
Quanto mais longo o feriado, mais rápido ele parece passar. Foram dias de sol e calor no Rio de Janeiro, dias que passaram sem que eu sentisse. Fui à praia, felizmente. Vi alguns amigos também. Vi menos do que gostaria, como sempre. E saí do Rio com a nítida sensação de dever visitas, conversas e horas de companhia para pessoas queridíssimas.
No entanto, tudo o que eu queria era ficar deitada no sofá, daydreaming. Também queria colo e aproveitei todo e qualquer carinho disponível nesses dias. Foram cafunés, abraços, afofamentos em geral. Enfim, foi o meu primeiro fim de semana de verão.
Sempre associei o verão à felicidade, como a maioria dos publicitários imagina. Não importa. Eu entendo o verão como algo que vai além da temperatura quente. É época de fugir do trabalho para ver os amigos e beber coisas geladas. É sentir aquele clima senegalesco e pensar que é muita sorte ter a praia à disposição. É olhar o mar verde transparente e se jogar dentro dele como se fosse outra dimensão. É dormir debaixo da barraca no final da tarde, depois almoçar de biquini e voltar para casa já de noite. É sal, areia e muita pele exposta.
Não faltou pele no Rio. Eu tinha esquecido como é legal ver as pessoas semi-nuas na rua. Eu tinha esquecido o que era sair de casa sem casaco, meninos sem camisa e meninas extremamente decotadas. Sim, é vulgar muitas vezes. Mas também é tão despreocupado, tão... livre. Fiquei nostálgica. Eu não queria voltar e não queriam que eu voltasse. Eu tinha tanto tempo a ser perdido lá... Aquela cidade é como um imã e precisei de toda a minha força de vontade para entrar no carro e, pela primeira vez em anos, dar adeus ao Rio acordada.
Foi bom voltar acordada de carro e sentir os quilômetros. Foi bom ver que não são tantos assim, mas são suficientes para justificar muita coisa. Foi bom ter tempo para colocar a cabeça um pouco no lugar. Mas não consegui escapar do Chico Buarque no iPod hoje, depois de toda a cantoria feminina do carro. Ah, as amigas...
Marcadores: Blá blá blá, Rio de Janeiro


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