In a cage
Eu não gosto de escrever sobre música normalmente porque sempre me sinto escrevendo sobre o inexplicável. Não sou música, não tenho treinamento formal para entender acordes ou melodias, não sei nada além do que me agrada e o que não me agrada. Mas tenho pensado muito sobre a "nova" safra de bandas que conquistou meu coraçãozinho, como os Strokes, White Stripes, The Killers...
São bandas de meninos, com músicas masculinas, mas demonstram muita coisa que os homens da vida real não dizem nunca. Exemplifico com Heart in Cage, que continua impressionante mesmo após a verdadeira overdose que tomei da música desde o lançamento do CD First Impressions of Earth. A cada vez que o Julian Casablancas grita "he gets left, left, left", eu tenho vontade de abraçá-lo como alma-irmã. Ele grita no tom que eu grito, com a rouquidão de voz que eu queria ter e dizendo exatamente o que eu queria dizer. Ver ele gritando isso deitado na sarjeta no clipe da música é ainda mais impressionante. Sinto o anzol da música dentro de mim, puxando coisas que não deveriam vir para a superfície.
É assim que eu identifico as músicas e bandas favoritas: são as que causam reações físicas em mim enquanto ouço. Qualquer reação física que não seja a náusea ou coceira, claro. Com o Placebo foi assim, apesar do Meds não ter me causado nem curiosidade vaga. Com a PJ Harvey é sempre assim, com todos os meus músicos e bandas favoritos é assim. Com a Madonna é assim.
Adoraria me identificar melhor com um poema do que com uma música pop sobre corações partidos, mas eu sou nick hornybiana e não adianta negar. Os Killers, por exemplo, me dominaram logo no primeiro disco. Mr. Brightside é inesquecível e ainda me causa arrepios sempre que ouço. A reação negativia inicial ao segundo disco era previsível, na minha cabeça não poderia ser tão bom quanto o primeiro (e eu ainda acho que não é), mas na segunda audição já fui pega de jeito por For Reasons Unknown. Em seguida, Sam's Town, When we were young (com o clipe sensacional) e principalmente Bones. Don't you wanna come with me, don't you wanna feel my bones on your bones? Adorei, gamei, me causa borboletas no estômago. E dá vontade de recitar as letras à medida que as ocasiões surgem.
Mas hoje não era dia de nenhuma dessas músicas dos meus amados indies americanos. Hoje era dia de um colorido latino, de Manu Chao ao pé do ouvido e Celia Cruz no sapatinho. Me gusta bailar.
Marcadores: Música


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