If I just lay here…
Ontem eu estava quase dormindo no ônibus quando caiu no meu colo um presente incrível. Era uma caixa vermelha - a melhor e única cor que caixas deveriam ter - com um laçarote digno de filme de papai noel. Desfiz o nó, abri a caixa e quase fiquei cega com o que vi lá dentro. Fechei correndo a tampa e só voltei a abrir na privacidade do meu quarto.
Dentro da caixa tem um mundo. Na verdade, é este mundo em que estamos, só que ligeiramente diferente. Eu vi, por exemplo, a praia do Leme da minha infância, só que estava cheia de borboletas coloridas que nunca existiram Me vi andando pelas ruas de São Paulo há anos atrás, quando a cidade ainda era estranha e desconhecida. Havia montes de foligem brilhante pelos cantos das ruas, mas eu andava exatamente pelo meio deles.
As minhas lembranças começaram a aparecer desordenadamente, mas sempre com detalhes diferentes. Quando olho dentro da caixa, sempre vejo as situações em God-Mode. E nos cantos, para onde eu não consegui olhar no passado, ali dentro eu vi outras formas de entender. Quando tentei me concentrar numa situação específica, as imagens da caixa se tornaram mais nítidas, as impressões mais fortes e definidas.
E daí eu vi. Finalmente eu vi, de lampejo, porque o medo de fez jogar a caixa no chão. Vi um sorriso, vi honestidade e mentira juntas de mãos dadas. Respirei fundo e olhei de novo, para gravar as imagens na cabeça. Ouvi ele dizer Please don”t let this turn into something it is not. I can only give you everything I”ve got. I can be as sorry as you think I should. E assenti. Acho que aprendi. Mas para garantir, guardei a caixa no meu baú. Quem sabe quais serão os próximos capítulos?
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