O fluxo inevitável
"Os amigos todos estão indo embora do Rio, chegando em São Paulo para buscar trabalho, dinheiro, carreira, futuro." Primeiro o Nix reclamou e hoje a Ciça, que infelizmente não posso linkar já que ela refletiu em sua coluna na Folha de São Paulo com conteúdo exclusivo para assinantes. A ilustre e talentosa Bruna Beber é a mais nova retirante a chegar em São Paulo, num fluxo que começou em 2003 com o Márvio, seguido de muitos amigos, conhecidos e agregados, além de eu mesma em 2005.
Ciça e Nix dizem a mesma coisa de formas diferentes, ambos já não conseguem mais esconder a tristeza da separação tão freqüente nem a melancolia de ver o Rio de Janeiro esvaziado das pessoas que eles mais gostavam ou admiravam ou ambos.Talvez por estar do outro lado, não consigo ver a coisa de forma tão triste. Foi bom crescer no Rio de Janeiro, foi ótimo estar lá de 2000 a 2003 quando a grande rede de pessoas interessantes se formou. Mas foi melhor ainda sair de lá em 2005, talvez até um pouco tarde. A razão que dei para justificar a mudança foi o trabalho e tenho vontade de rir ao pensar nisso. Desculpa esfarrapada. Já em 2004 eu conversava com o Bruno sobre como o Rio me parecia uma cidade em coma, um paciente terminal.

(O Rio é chato, mas é lindo de fotografar)
Apatia, marasmo, mesmice, tédio. Só que morou sabe como é, mais do mesmo sempre todo ano. A cidade cai aos pedaços enquanto todo mundo fica mais velho e decadente sentado no boteco sujo discorrendo sobre como não existe nada melhor do que o Rio de Janeiro. Falta pulso, é como uma redoma que prende a cidade e as pessoas nela no que já existe. Como carioca nascida e criada, é claro que não sou isenta destas características. Mas não vi vontade de mudança, então resolvi aproveitar a oportunidade que apareceu e mudar-me eu. Os incomodados que se mudem, certo? Mudei. Penei. Pensei em voltar. Bati o pé e a minha teimosia me foi favorável: escolhi certo.
Em São Paulo eu posso escolher. Oportunidade, perspectiva, futuro. Estas são as três verdadeiras razões da mudança para São Paulo. E provavelmente serão as razões para uma possível futura mudança de São Paulo. Curiosamente, não são as oportunidades, perspectivas e futuro da vida profissional que me fizeram ficar. Os três são fortes nesta área, é claro, mas não são o suficiente para mim.
Em São Paulo eu finalmente vi a chance de ter uma vida próxima do que eu desejo. Em São Paulo eu vejo um novo mapa a desbravar - ainda não sei se é degrau ou platô. Sabe o que eu via no Rio? Uma linha reta, constante, estreita. Não era horroroso, era o que sempre foi e sempre será. Era um conjunto de lugares e hábitos e ritmos e limitações que não pretendia nem desejava mudar. O Rio é o "conhecido", o "familiar". Eu optei por mudar com a ilusão de que se tudo desse errado eu poderia voltar.
Bobagem. Não se volta ao passado. Hoje aquilo tudo praticamente não existe mais, apesar de ainda existirem vestigios. Sempre vou amar o Rio, é a minha cidade de origem. Ainda existem pessoas importantíssimas por lá. Mas, sinceramente, se todas se mudassem para cá eu jamais iria ao Rio todo mês. Nem mesmo todo semestre. Volto sempre pelas pessoas, pela família. Mas fico felissícima de ver São Paulo coletando mais gente legal para perto.
UPDATE: O tópico é quente! O Fred também escreveu sobre isso, o Giglio, a Bruna Beber e a Sarah Sioli. Por enquanto só cariocas se manifestando... A Rach foi quem disse o que eu queria dizer, clica nos comentários deste post para ler.
Marcadores: Blá blá blá, Rio de Janeiro, são paulo


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