A idade
Algumas coisas na arte requerem idade e vivência para que a gente apreciei. Isso não significa que todo mundo descobre o valor da obra com a mesma idade, mas é preciso preencher determinados requisitos para entender e apreciar. Para alguns isso vem de berço, para outros leva tempo.
Levei tempo para entender e amar Edith Piaf. Recomendo fortemente o filme sobre a vida dela que está rolando nos cinemas, é lindo demais. Todo ele se justifica pelo final, o que não significa que o começo e o meio não são interessantes. Eu sempre me impressiono com histórias trágicas em que as pessoas atingidas seguem vivendo e conseguem se tornar maiores do que aquela(s) dor(es).
A transformação da dor em arte é um dos mistérios mais interessantes da vida, algo que me deixa completamente hipnotizada. Eu não entendo, talvez por isso admire tanto. E a Edith era completamente admirável, mesmo se fosse um tanto bêbada e sem modos, heh.
E a trilha sonora é imbatível.
A Piaf ratinha dos esgotos de Montmartre, a Piaf bebê desamparado, a Piaf viciada, a Piaf apaixonada e a Piaf velha cheia de lembranças que não consegue controlar.
Deve ser estranho ser atacado constantemente por lembranças de décadas atrás, minúcias que a vida adulta tinha esquecido, mas que a idade avançada recupera. Mas o que deve ser melhor mesmo é passar desta para a melhor com Non, je ne regrette rien na cabeça, concordando com toda a letra e cantando a plenos pulmões no mundo da imaginação.
Non, je ne regrette rien.
Um dia ainda vou dizer isso.
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Marcadores: Filmes


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