::lumos:: ::lumos::

Quinta-feira, Março 29, 2007

Vozes

Eu ouço vozes.

Às vezes elas são manhosas e isso me derrete. Outras elas são vozes estranhas, estrangeiras. Daí eu ouço de longe com os olhos fechados. As outras eu ouço só com os olhos. Alguns dias amanhecem cheios de vozes chorosas, já outros são preenchidos de outras tantas vozes felizes. Ouço a voz do silêncio, do medo e, ao fundo, discreta, a voz do desespero. Ouço os gritos, o choro, o riso e a celebração. Ouço a preocupação e a gratidão. Gosto de ouvir o coro da voz do carinho com a voz do desejo, sussurando.

E às vezes eu ouço a minha voz feliz. Como hoje.

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Quarta-feira, Março 28, 2007

I (heart) Placebo

Placebo no Credicard HallOntem durante o show do Placebo (que eu consegui ir apesar de ter sido relapsa e não ter comprado o ingresso com antecedência) eu tive bastante tempo para pensar. Como eu amo aquela banda! Como amo aquelas músicas! O show não foi tão emocionante como o de 2005, muito menos chocante como o de 2000. Mas ainda assim valeu cada centavo e cada minuto.

Ouvi-los tocar a cover da Kate Bush, Runnin Up That Hill, foi emocionante. Mas só Without You I'm Nothing me fez derramar umas lágrimas furtivas, como sempre faz. Brian Molko continua imbatível, lindo, afetado, sexy, delicioso. Curiosamente ainda não está completamente careca. A interação da banda com a platéia é sempre escassa, mas eles foram simpáticos de qualquer forma.

E a música. Eu fechava os olhos e lembrava de tudo, tudo desde 2000 quando eu ouvi Nancy Boy pela primeira vez (bem atrasada). Arrancam suspiros de mim ainda, apesar dos anos. Não são mais os meninos in drag, ainda bem. Continuam a minha banda favorita, aquela do coração.

E deixo aqui alguns dos melhores momentos de Brian como compositor...

"You see through my disguise."
"I know, you've got me wrapped around your finger. I know, you want the sin without the sinner."
"She stole the keys to my house and then she locked herself out."

"Think I'll leave it all behind, save this bleeding heart of mine."
"These bonds are shackle free, wrapped in lust and lunacy. Tiny touch of jealousy, these bonds are shackle free."
"And every time you vent your spleen, I seem to lose the power of speech, you're slipping slowly from my reach."
"It's way to broke to fix no glue, no bag of tricks."
"Never thought you'd make me perspire. Never thought I'd do you the same. Never thought I'd fill with desire. Never thought I'd feel so ashamed."

"I'll describe the way I feel, weeping wounds that never heal. Can the savior be for real or are you just my seventh seal?"
"All it takes is one decision. A lot of guts, a little vision to wave your worries, and cares goodbye."

"Maybe we're victims of fate. Remember when we'd celebrate. We'd drink and get high until late And now we're all alone. Wedding bells ain't gonna chime with both of us guilty of crime and both of us sentenced to time and now we're all alone. Protect me from what I want."
"Though some may hold the rose some hold the rope."

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Terça-feira, Março 27, 2007

Melody of a fallen tree

Quando eu era mais nova, fui dormir uma noite encharcada e sem cobertas. E quando acordei no dia seguinte, coisa muito estranha, minha boca tinha sumido. Não reparei logo ao despertar, fiquei enrolando na cama por uns minutos antes de me arrastar até o banheiro, evitar o espelho e lavar o rosto. Quando minhas mãos percorreram meu rosto foi que percebi. Me olhei longamente no espelho, apenas os olhos gritando. Logo passou e comecei a gostar.

Eu não precisava mais falar nada no café da manhã, podia apenas gesticular dentro do ônibus, evitar apresentações em sala de aula , principalmente, podia evitar conversar no almoço. Em silêncio eu passava as horas do trabalho e do jantar. E em silêncio respondia com gestos às indagações da minha mãe sobre o almoço do dia seguinte.

Andava de ônibus olhando pela janela com uma expressão trágicamente vitoriana, em silêncio quando pisavam no meu pé. Como não podia falar, sempre que me vinha uma palavra à mente, era obrigada a engoli-la. E assim fazia, sentindo as pontas das letras descendo pela minha garganta e queimando no estômago. Nem todas as palavras têm gosto ruim, descobri. Algumas são saborosas de tão amargas, outras enjoativas de tão doces.

Sem falar, passei a ouvir tudo e atribuir às coisas o significado que me aprazia. Quebrei a cara, o coração e as mãos. Parti a cabeça de pessoas. E continuava a engolir as palavras, recusando inclusive a escrita. Aprendi o sabor das letras e pensava no impronunciável só para satisfazer a gula. E assim foi até que tropecei por distração numa perna de moço, estendido no meu caminho. Ele não me esperava, por isso me xingou, me empurrou, me abriu a boca com facadas e me forçou a um beijo cheio de palavras. E quando me soltou, levou tudo o que eu tinha, menos o som das palavras que continuava a usar para me xingar. Deixou minha boca finalmente aberta.

---- Inspirado por http://www.last.fm/music/Windsor+for+the+Derby/_/The+Melody+of+a+Fallen+Tree

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Segunda-feira, Março 26, 2007

Reconquista

Amanhã a noite eu tenho um encontro.
Na verdade, é um desafio.
Preciso ser reconquistada, domada, vencida e convencida.
Não vai ser fácil.
A minha paixão era incalculável.
Eu tinha febre e tremia, com um esboço de sorriso nos lábios e os olhos marejados.
Ele me fazia sentir isso tudo e muito mais.
Parecia saído de dentro dos meus sonhos adolescentes, eu não via nenhum dos (óbvios) defeitos.
Eu amava.
Amava profundamente e de forma desvairada, como só as paixões fulminantes conseguem.
Éramos jovens e inconseqüentes.

Mas ficamos distantes.
Ele começou a experimentar novidades.
Eu comecei a diversificar.
Me apaixonei por outros, senti tudo de novo com concorrentes.
Quando veio o disco mais recente do Placebo não me interessei nem mesmo o suficiente para ouvir tudo.
Mas amanhã tem o show.
Eu vou lá ver se o Brian Molko consegue arrancar de novo minhas entranhas e rearrumá-las da forma que melhor lhe agrada.
Afinal, ouvir Without You I'm Nothing é como voltar para casa.

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VoeGol

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OK.

Venho por meio desta agradecer encarecidamente à Santa Gol e à Santa TAM pela graça alcançada. Nós temos um relacionamento turbulento, mas ambas sabem como meu coração preto e calejado do caos que é hoje voar de/para São Paulo. Santa Gol me mandou um milagre na última quinta-feira no formato da promoção de passagens a R$ 50 para quase todos os trechos nacionais. Já a Santa TAM resolveu revidar e deu desconto de até 90% durante o fim de semana.

E o melhor: quase não tive dificuldade para atingir a iluminação com a compra das passagens. Os sites ficaram lentos, mas eu persisti - e consegui. Viajo várias vezes por menos de R$600 no total, aproveitando finais de semana e feriados. Como contrapartida, prometo às Santas que não vou ficar irritada se tudo atrasar. Prometo que vou usar e abusar do webcheckin da Gol, o melhor do Brasil, e que vou tentar recuperar o número do meu Fidelidade para poder usar a TAM direito. Amém.

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Egotrip

Há uns dias eu mandei uma foto minha para uma iniciativa do Musée de l'Elysée, Lausanne, na Suiça, que está pedindo para os Flickers enviarem fotos que são exibidas num slideshow por lá. E olha que hoje eles me mandaram a foto da minha foto sendo exibida! \o/ Egotrip total...

elysee-all-photographers-now-2007-03-20-1235pm.jpg

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Sexta-feira, Março 23, 2007

Segredos

Na primeira vez, estava andando pela rua despreocupado. Viu duas mulheres discutindo calorosamente e resolveu interromper a música que vinha dos fones de ouvido para ouvir o movimento das pessoas e as vozes. Gostou de ouvir a discussão e mais ainda de ouvir aqueles comentários inusitados dos passantes, recortes de conversas sobre as quais só poderia conjecturar. Passou a andar devagar e tentar manter um ritmo diferente daquelas pessoas mais próximas. Assim havia mais variedades e seus pés não ficavam tão cansados.

Não sabia o porquê, mas se sentia muito desconfortável quando andava exatamente no mesmo ritmo em que um desconhecido na rua. Automaticamente mudava seu ritmo, trocava as pernas, tropeçava, parava para amarrar os cadarços do sapato batido de trabalho. Enquando se agachava, percebia alguns olhares furtivos que o contemplavam por segundos e os esqueciam imediatamente.

Não chamava atenção dos passantes, acabou adquirindo uma discrição investigativa que seus amigos não suspeitavam ser possível num rapaz tão alto. Tornou-se tão ousado que esticava o pescoço e encarava lábios, pescando palavras. Era seu esporte favorito e após 15 minutos ele parava para anotar as frases mais dignas de nota.

Andava chutando pedrinhas e de cabeça baixa quando se percebia observado, como se ainda fosse um menino. Como se fosse inocente. Andava, anotava, andava, anotava, observava e mastigava.  Passou a montar histórias com as frases capturadas, sagas inteiras de famílias e dinastias. Deu para andar até outros bairros, ouvir outras conversas. Sentia sede de palavras como outros sentem de cerveja. Foi a outras cidades, outros estados, outros países. Preencheu tantos cadernos que não havia mais espaço em sua casa. Os vizinhos comentavam sobre sua solidão e aparente esquisitice, ele só sorria.

Foi na rua de sua casa em que ele ouviu finalmente as palavras que o libertariam. Foram ditas em voz alta, por uma mulher estridente, mas não importava. O que ele ouviu bastou, por fim. E assim ele voltou para casa e, com paciência, levou folha por folha dos escritos de anos até o mar. Lá todas o falatório foi afogado sem piedade, para que ele pudesse voltar a não ouvir.

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Quarta-feira, Março 21, 2007

Madame Deficit

Marie Antoinette recebeu muitos apelidos em vida, a maioria continuou em vigor após sua morte. Madame Deficit era um deles, criado pelos parisientes mortos de fome devido à escassez da farinha. L'Autrichienne era outro, bem mais ofensivo (pode ser traduzido como "a austríaca" ou como um trocadilho: "a puta [chienne = cadela = puta] austríaca"). Ela possivelmente foi uma das figuras históricas mais odiadas de todos os tempos, apesar de agora estar ganhando novas dimensões. O tempo faz desaparecer as tendências políticas e hoje é possível tentar encará-la apenas como uma mulher.

E foi isso que fez a escritora Antonia Fraser na excelente biografia "Marie Antoinette: the journey". O livro inspirou a Coppola a fazer o filme, que pude ver ontem na enorme tela do cinema. E que belo filme, apesar de todas as omissões e adaptações.

A bela fábula da nobre Revolução Francesa é cruel de todos os ângulos que se analisa. E no entanto a realeza européia era predatória sim e é impossível imaginar hoje um mundo políticamente dominado pelo absolutismo monárquico. O que é assustador é o volume de sangue derramado - e os requintes de crueldade usados - para chegar a este tão nobre fim republicano.

Os relatos das revoltas em Paris e no restante da França durante os anos mais radicais da révolucion são de gelar o sangue, independentemente de quem foi a vítima. A morte de uma das favoritas de Antoinette, a Princesa Lamballe, foi algo de selvagem e medonho. E, ao contrário da Lamballe, houveram milhares de vítimas que mal sabiam porque estavam sendo atacados...

Marie Antoinette e Louis XVI mereciam morrer? Sem atacar diretamente a questão, o filme da Coppola fala sobre isso. Como culpar uma menina de 14 anos pela sua falta de interesse pela política? Como culpar uma moça de 18 que nunca viu o lado de fora de um palácio pelas crianças passando fome nas ruas? Como esperar que o Rei e a Rainha fossem diferentes do meio onde foram criados e mantidos confinados durante toda a vida?

As cenas da etiqueta de Versailles causam risos no cinema, mas são mesmo exemplos tristes da completa falta de foco de toda uma classe. Assim como causa tristeza imaginar a perspectiva daquela pequena família, completamente perdida na frente de uma forma radicalmente nova de entender o mundo. A ex-arquiduquesa austríaca, ex-delfina da França e ex-Rainha da França não poderia ter uma posição política que não fosse conservadora.

O filme é excelente ao mostrar sensações em vez de fatos. A sensação de tédio na vida vazia da corte. A sensação de frustração da delfina e rainha que não conseguia cumprir sua única função: ter herdeiros. O medo, o isolamento, a inconseqüência, a simples vontade de se divertir... E Kirsten Dunst cumpre bem o papel da princesa inocente e despreparada. O restante da família Bourbou poderia ser melhor, ou pelo menos mais gordos. Os cenários são magníficos. As roupas idem. E a trilha sonora, grande fonte de medo para mim, é perfeita.

No fim, é um filme melancólico como todos os da Coppola. Mas não achei um filme afetado, pelo contrário. Os silêncios não me incomodaram, apenas contribuíram para criar um clima bem orquestrado.

Corra para o cinema e depois passe na livraria para levar a pérola de Antonia Fraser. Imperdível.

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Terça-feira, Março 20, 2007

Ladybugs

Há muitos meses eme sentei no banco da praça e decidi que veria o tempo mudar. Veio sol, nuvens, luar, estrelas, fumaça, chuva, lama, vento, folhas caídas, mais chuva, mais sol e tudo de novo. Veio o calor intenso, o suor noturno. Me deitava no banco, mas não conseguia ficar parada. O calor parecia vir de dentro do meu corpo e invadir o restante do mundo, como um aquecedor de ficção científica.Aí veio o vento e as noites ficaram agradáveis. Já não me retorcia deitada na grama, ficava comportada sentada no banco. Não dormia, porque as estrelas não deixavam. Dormir é para os fracos, gritava a música nos meus ouvidos, e eu acreditei. Não dormia, mas sonhava. Sonhava o dia inteiro enquanto via as crianças, os velhinhos, as babás, os cachorros bravos, os vendedores de sorvete e água de côco. Sonhava com um banco de praça mais legal. Passei a olhar mais para as árvores do que para as pessoas, porque elas eram menos previsíveis. E nas árvores vi de muito longe um mundo diferente.

As formigas e joaninhas estranhos brincavam o dia todo, subindo e descendo. Se protegiam nos buracos do tronco, tomavam sol do alto dos galhos, nadavam nas piscinas em torno das raízes. Um dia não aguentei mais ficar sentada olhando e fui para perto da árvore. Eu também queria participar daquela vida. Os insetos me olharam e começamos a conversar. Não falávamos, desenhávamos. Criei histórias lindas com um graveto na terra, as joaninhas usavam as trilhas como novas rotas de passeio.

Sorri e deixei de prestar atenção no tempo. Meu telefone ficou sem bateria e eu não reparei. Deixei de comer, mas não sentia fome. Eu queria estar ali e só dormia quando elas dormiam. À noite elas me cobriam o corpo todo e eu virava uma forma humana preta e vermelha, fervilhante. Sem me mexer, eu sentia meu corpo sorrir por inteiro.

Um belo dia de sol eu disse que nunca mais voltaria para casa, para o meu mundo. Queria ficar ali. Foi uma declaração de amor fraternal e um elogio às novas amizades. Elas me supriam e eu era feliz. Mas eu não tinha notado que o inverno havia chegado. Não havia comida para mim, não havia abrigo grande o suficiente, as pessoas me olhavam estranho. Os insetos também me olharam estranho. Esperavam que eu voltasse para casa e continuasse a vida que deveria ser a minha. Gostavam das minhas brincadeiras, mas estavam cansados já daquela presença gigantesca. Queriam sua rotina de volta, queriam as memórias e nada mais.

Eu entendo, menti. Me levantei de vagar, sacudi as roupas rasgadas para que caíssem as folhas mortas e parti.

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Segunda-feira, Março 19, 2007

42 dias

Quando os primeiros pingos cairam, os olhos por trás do vidro os seguiam divertidos. Algumas horas depois, o ritmo da chuva havia parecia o de uma ducha forte e constante. Durante os primeiros dois dias, ela não fez nada além de olhar pelo vidro e admirar as gotas pesadas que caiam sempre no mesmo ritmo.

Depois da primeira semana, teve que fechar completamente as janelas. No vigéssimo dia, a água começou a passar por baixo das esquadrias. Formou-se a primeira poça. No dia 32, a água escorria pelas paredes para dentro da casa. Os panos não conseguiam mais conter a torrente, uma cascata foi formada e o chão da sala estava coberto por uma fina camada de água.

No dia 40, a água já alcançava a cintura e não era mais possível cozinhar ou dormir. A cama estava submersa há dias, os sofás inutilizados e os tapetes aprodrecidos. Enquanto andava pela casa, lutando contra os móveis flutuantes, pensava nos anfíbios que roçavam nas suas pernas e os insetos que subiam pelas suas costas. Não penteava os longos cabelos há tantos dias que a umidade havia transformado os cachos em aglomerados de cabelo embaraçado e desgrenhado.

E finalmente, no 42o. dia, a porta da frente se abriu. Ela respirou fundo e se voltou para a porta, antecipando em sua mente o que estava prestes a ver. Seus lábios se contorceram num sorriso hesitante enquanto sentia a água escorrer. Fechou os olhos para não perder mais nada.

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Domingo, Março 18, 2007

Linguas minhas

A lingua das piadas é o inglês.
A lingua das ordens é o alemão.
Já o italiano é a lingua para cantar.

A lingua das orações é o hindi.
E a dos sonhos é o árabe.
A lingua dos poemas é o português.
E o francês é a lingua da sedução.

A lingua das histórias ao redor do fogo é o russo.
E a lingua da flexibilidade é o hindi.
Mas a lingua para pensar é o grego.

A lingua do sexo é o espanhol.
As linguas dos homens são quentes.
A das mulheres é macia.
E a minha lingua tem vontades.

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Quarta-feira, Março 14, 2007

Stop. Shut down. Restart.

O layout ainda não está 100% como eu quero, mas por enquanto é o que o tempo me permite fazer - com a infinitamente paciente ajuda do Nix. Conversando no MSN outro dia, ele já tinha me feito o favor de expressar em palavras claras algumas das razões que me deixavam insatisfeitíssima com este blog aqui. Por isso resolvi pisar no freio, pensar e recomeçar diferente. E diferente será, mesmo que ainda seja só meu.

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Segunda-feira, Março 12, 2007

In a cage

Eu não gosto de escrever sobre música normalmente porque sempre me sinto escrevendo sobre o inexplicável. Não sou música, não tenho treinamento formal para entender acordes ou melodias, não sei nada além do que me agrada e o que não me agrada. Mas tenho pensado muito sobre a "nova" safra de bandas que conquistou meu coraçãozinho, como os Strokes, White Stripes, The Killers...

São bandas de meninos, com músicas masculinas, mas demonstram muita coisa que os homens da vida real não dizem nunca. Exemplifico com Heart in Cage, que continua impressionante mesmo após a verdadeira overdose que tomei da música desde o lançamento do CD First Impressions of Earth. A cada vez que o Julian Casablancas grita "he gets left, left, left", eu tenho vontade de abraçá-lo como alma-irmã. Ele grita no tom que eu grito, com a rouquidão de voz que eu queria ter e dizendo exatamente o que eu queria dizer. Ver ele gritando isso deitado na sarjeta no clipe da música é ainda mais impressionante. Sinto o anzol da música dentro de mim, puxando coisas que não deveriam vir para a superfície.

É assim que eu identifico as músicas e bandas favoritas: são as que causam reações físicas em mim enquanto ouço. Qualquer reação física que não seja a náusea ou coceira, claro. Com o Placebo foi assim, apesar do Meds não ter me causado nem curiosidade vaga. Com a PJ Harvey é sempre assim, com todos os meus músicos e bandas favoritos é assim. Com a Madonna é assim.

Adoraria me identificar melhor com um poema do que com uma música pop sobre corações partidos, mas eu sou nick hornybiana e não adianta negar. Os Killers, por exemplo, me dominaram logo no primeiro disco. Mr. Brightside é inesquecível e ainda me causa arrepios sempre que ouço. A reação negativia inicial ao segundo disco era previsível, na minha cabeça não poderia ser tão bom quanto o primeiro (e eu ainda acho que não é), mas na segunda audição já fui pega de jeito por For Reasons Unknown. Em seguida, Sam's Town, When we were young (com o clipe sensacional) e principalmente Bones. Don't you wanna come with me, don't you wanna feel my bones on your bones? Adorei, gamei, me causa borboletas no estômago. E dá vontade de recitar as letras à medida que as ocasiões surgem.

Mas hoje não era dia de nenhuma dessas músicas dos meus amados indies americanos. Hoje era dia de um colorido latino, de Manu Chao ao pé do ouvido e Celia Cruz no sapatinho. Me gusta bailar.

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Quinta-feira, Março 08, 2007

Fora do ar

O blog hoje ficou algumas horas fora do ar por causa de excesso de spam nos comentários. O provedor do Nightripping tirou todo o site do ar para que os servidores não capotassem, só no meu blog chegaram 914 comentários de spam em questão de minutos. Sempre recebia spam por aqui, mas sempre foi num nível aceitável. Não sei bem o que houve, duvido que eu consiga descobrir.

Resolvido o problema, fui fazer a triagem de classificação de spam com o novo anti-spam do Wordpress e achei algumas coisas inusitadas. Primeiro, alguns comentários bem velhos sendo retidos como spam. Segundo, alguns comentários do meu eterno(a) stalker, a pessoa que se entitula MN. Sempre a mesma ladainha, "sua gorda mal amada burra chata cara de melão". Que canseira dessa pessoa, já se passaram pelo menos quatro anos desde o ser começou a mandar esses comentários. Normalmente eu presumia que a pessoa não lia os posts e simplesmente colocava a pretendida ofensa lá. Mas não! Achei um velho que era contextualizado com o post, me deu até orgulho. Meu(inha) leitor(a) mais fiel tá lendo mesmo!

Foi engraçado ver alguns outros comentários de amigos perdidos ali. Bom recuperá-los. Daí aproveitei para ver os comentários antigos de quando o blog renasceu aqui no Nightripping ano passado. Eu tenho blog desde 2001 e guardo todos os arquivos no meu computador, mas felizmente isso tudo não está mais disponível online. Gosto de ter blogs e acho que hoje encontrei uma forma confortável - mesmo que bastante inútil - de escrever e publicar.

Eu gostaria que meu blog tivesse um propósito mais claro, ao mesmo tempo gosto da liberdade de pensar que posso colocar absolutametnte QUALQUER coisa por aqui. É o meu espaço, até determinado ponto. Não coloco a maior parte das coisas porque já me expus demais e tive problemas. Mas sei bem que o blog acaba refletindo o momento da vida e isso é muito legal de ter e guardar.

Eu guardo tudo, meio obsessiva. Gostaria de chegar ao fim da vida e poder montar meu documentário secreto e pessoal. Papéis, textos, fotos, imagens em geral, lembranças, histórias. Gosto de tudo que é íntimo e gosto de lembrar das pessoas que passaram ou ficaram na minha vida. Todo mundo que algum dia significou alguma coisa fica, bom ou ruim.

:)

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Segunda-feira, Março 05, 2007

Spring cleaning

Decidi que finalmente vou investir na minha casa. Não só grana, mas tempo e esforço também. Desde de que me mudei para São Paulo, passei por muitas fases. Primeiro não quis alugar um apartamento, depois quis, depois quis um flat, depois quis largar tudo e finalmente quis só algum lugar onde eu não fosse me incomodar.

Tirei a sorte grande de encontrar um roomate perfeito, um apartamento grande, espaçoso e arejado... mas totalmente desprovido de móveis e decoração. Isso não foi um problema, pois comprei uma cama, mesa de trabalho e uma cadeira maneira para o meu quarto. Resolvi o básico e fui levando. Já estou lá há mais de seis meses e o vazio começou a me dar coceira. Graças ao Sérgio, Costela e Rogéria, há uns três meses ganhei dois sofás usados e um rack de TV igualmente usado. A sala começou a ter cara de sala! Já pude chamar amigos para desfrutar do ambiente, o Márvio já conseguiu montar o semi-home theater dele lá... uma beleza.

Mas ainda falta muita coisa. E essa é a hora. Recuperei o endereço da loja de saldos da Tok Stok em São Paulo, curiosamente muito perto do escritório, e aceito muitas sugestões de lugares legais para mobiliar e decorar a casa. Procuro:

- Boa luminária de teto para o quarto e sala.
- Um criado-mudo para colocar do lado da cama.
- Uma estante para o quarto.
- Um armário de cozinha.
- Uma mesinha de centro pequena.
- Duas mantas grandes para cobrir os sofás.
- Itens variados de cozinha.
- Uma estante para a sala.
- Enquadrar dois posters para a sala.
- Uma luminária de chão para fazer a iluminação suave na sala.

Eu cheguei a pensar num tapetinho para decorar a sala, mas... não sei. Alguns dos tacos estão levantando, também não sei bem o que fazer em relação a isso. Donas e donos de casa, help!

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Domingo, Março 04, 2007

Babel

Finalmente vi Babel, atrasadíssima como estou em relação aos filmes. Gostei, mas não amei. Achei forte, mas não tão forte quanto me falaram. Como todos os filmes do Iñarritu, as implicações políticas ficam por conta do espectador. E as quatro culturas diferentes que ele explora no filme (americanos, latinos, muçulmanos e japoneses) acabam interligadas pelo infeliz tiro no Marrocos.

Gostei das atuações discretas do Brad Pitt e Cate Blanchett, gostei do lindinho Gael como o mexicano inconsequente e adorei a senhora que faz a babá mexicana. O desespero dela no deserto foi algo extremamente convincente. O mesmo para os meninos marroquinos que sem querer detonam todas as conexões e muitas das tragédias.

Como em 21 gramas, a sensação de desperdício é gigante quando termina a história. Perdas desnecessárias, vidas destruídas e muito pouco recuperado. E a histeria reativa das pessoas é muito bem demonstrada.

Fiquei tentando imaginar o que eu faria no lugar da mulher baleada, da babá, dos meninos... É difícil imaginar algo menor do que pânico. No fim das contas, gostei. Mas não amei mesmo. Não entrou no hall de favoritos e se houvesse recebido o Oscar, teria sido mais pelo tema (corajoso) do que pela execução.

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Sábado, Março 03, 2007

E o novo episódio de Lost…

... foi bem morno. Spoilers após o link.

O Hurley é um personagem bem simpático e se tornou ainda mais interessante depois do episódio em que o descobrimos n a clínica com a Libby. Mas não houve informações bombásticas o suficiente neste episódio novo para desfazer a má impressão do episódio do chato-Jack. Hurley é fofo engraçado, me fez dar umas risadas.

Gostei particularmente das cenas entre ele, Saywer e Jin. Aquela coisa de cerveja entre amigos, rir da desgraça própria, achei bem legal. As dificuldades da relação Saywer-Kate continuam chatas, mas pelo menos eles não ficaram discutindo a relação desta vez. Por que a Kate tem que ser tão pentelha? Eu entendo que ela está preocupada com o Jack ter sido deixado para trás, mas calma, amiga! Pelo menos dorme uma noite antes de ir procurar ajuda...

A moça foi bem esperta, no entanto. A Rousseau é mesmo a (aparentemente) maior interessada em ir incomodar os Outros, por causa da suposta filha. Mas porque é que ninguém pensou em desconfiar da Rousseau ainda??? A Kate sabe que a Alex é tratada como filha do Ben. Por que não tem pelo menos um pézinho atrás com a francesa? Eu chuto que ela tem um envolvimento com os Outros bem maior do que aparenta para os sobreviventes.

No mais, acho que o final do episódio indica claramente que há sim chances de sobrevivencia para Charlie, já que eles se propõem a fazer o impossível consertando o carro e conseguem. Aliás, a relação do Hurley-carro-Pai é meio batida, hm? Podia ter algo mais interessante nessa ligação. O pai do Jack era menos péla.

Mas a melhor cena foi mesmo da mãe do Hurley dizendo: "I`ve got needs". :)

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