::lumos:: ::lumos::

Sábado, Abril 28, 2007

Hogwarts

Princeton se parece muito com a minha idéia de paraíso acadêmico. O cenário lembra muito alguns cenários dos filmes de Harry Potter, afinal Princeton tenta ser no continente americano o que Cambridge e Oxford são na Inglaterra. As ruas são fofas, os prédios da universidade são de tirar o fôlego e as pessoas se cumprimentam e conversam na rua. Gente do mundo inteiro que está aqui para estudar, ensinar, pesquisar.

Toda a cidade gira em torno da universidade, os alunos e professores têm desconto em quase tudo, há uma sensação forte de comunidade. No barzinho dos alunos de mestrado e doutorado, os preços são baixíssimos, o futebol de mesa é barato e as pessoas simplesmente chegam e dizem oi. Claro que todos sabem muito bem quando há gente nova, afinal a entrada é restrita aos alunos. Mesmo assim a simpatia é notável para mim, exilada em São Paulo onde as pessoas nunca falam com estranhos.

Portugueses, franceses, americanos, coreanos, japoneses, ingleses, russos, croatas, brasileiros... todos lá ouvindo uma música péssima, bebendo cerveja barata e conversando sobre absolutamente tudo do universo. É interessante voltar ao ambiente de faculdade, aquele momento em que a variedade de possibilidades futuras é palpável no ar.

Andando hoje pelo campus, eu pensei em como deve ser a vida de alguém que estuda e mora aqui, uma cidade minúscula do lado de Manhattan e convive com mentes celebradas pelo mundo. Soa mais glamouroso do que parece ao vivo, mas ainda assim é uma idéia tentadora para mim. A vida aqui acontece num ritmo tão diferente de tudo o que eu conheço, parece uma dimensão diferente.

É tão legal que eu troquei um dia na grande maça por um dia aqui. E olha que sorte, não me arrependi. Esbarrei numa enorme feira de rua, a melhor das formas de aproveitar um dia relativamente quente e ensolarado. Esta viagem está saindo muito melhor do que a encomenda. =)

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Sexta-feira, Abril 27, 2007

Take a glorious bite of the world

E depois de uma semana de trabalho intenso em Boston, cá estou de volta a Princeton. Não era o plano, não trouxe roupa o suficiente, não tenho dinheiro, não sei bem o que vou fazer, mas sabe o que? Era uma oportunidade que eu não podia perder. O vôo atrasou, eu fiz social com a chefia no aeroporto, vi Heroes e a excelente série The Tudors... e agora Princeton, campus, grad students, doctorate students, pubs, parties, New York, shopping!

Quem precisa de responsabilidade financeira quando se tem um cartão de crédito e uma (nova) máquina fotográfica excelente?

Aliás, a loja em NYC da BH Photo e Video é a coisa mais divertida do planeta. Nos fins de semana só abre aos domingos, porque todos lá são judeus de carteirinha. O serviço é excelente, todos os atendentes (a maioria velhinho) são um amor e eu sai de lá sorrindo sozinha como uma doida. É a Canon S3 IS mesmo, o preço foi bom e ela é menor e mais leve do que eu esperava. Ainda estou me adaptando com os controles dela, porque as configurações que eu tinha aprendido na outra estranhamente não parecem funcionar nessa.

Definitivamente eu não posso reclamar que a vida anda chata. :)

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Terça-feira, Abril 24, 2007

Wherever you may roam

Ontem eu recebi um dos melhores elogios dos últimos meses: "Ah, você é uma mochileira".

Sorri e continuamos discutindo sobre quais são as melhores malas para viajar, que detalhes do destino precisam ser levados em consideração, os modelos ideais de mala... essas coisas que aeroportos inspiram. O aeroporto internacional de Boston é relativamente pequeno e simples. Ajudou o fato de que, pela primeira vez desde sexta-feira, eu podia me dar ao luxo de pegar um taxi e ir para um hotel.

Luxos são agradáveis, mas viajar é mais do que o suficiente sem isto. Sempre quero viajar, aproveito absolutamente todas as oportunidades que surgem. Boston é uma das cidades que eu nunca achei que iria visitar, mas cá estou de novo. É uma sorte gigante, mesmo que eu tenha chegado aqui completamente exausta.

New York foi uma loucura, como o esperado. Eu levei meu corpo a quase todos os limites de cansaço que uma pessoa pode fazer antes de desabar. Quase 24 horas sem dormir, andando pela cidade com uma mochila pesada nas costas, casacos mil que eu colocava e tirava ao longo do dia, o encontro com a Jaime, comidas orgânicas, limonada de morango, festinha no Harlem, sono da tarde na grama do parque... mil dias em um, como nas melhores viagens.

Falar bobagens bêbada de sono, dormir de tarde no Central Park com a Patrícia,  o mini zoológico, a confusão do Times Square...

Foi isso, dois dias viajando equivaleram a um mês em São Paulo. Tão pouco tempo e tanta coisa para rever. É estranho (de uma forma boa) andar por uma grande metrópole do mundo e reconhecer lojas, prédios, esquinas. Me faz bem mais feliz do que todos os brownies de chocolate com sorvete de creme do mundo. E no meio disso tudo, você descobre mais uma esquina e ela fica gravada no seu cérebro. E descobre mais um restaurante e outra opção de caminho.

Quando o avião decolou de Newark (aeroporto que eu aprendi a amar), só me restou tirar fotos ruins da ilha enevoada. E ao pousar na ensolarada Boston, eu não consegui me comportar e fui andar pelas ruas, almoçar, visitar o MIT... Acho que estou me reconciliando com essa pequena parte do mundo.

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Mrs. Nakamura

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Quem aqui assiste Heroes?
=)
Não resisti, claro...

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Sexta-feira, Abril 20, 2007

Deslumbre

Eu sou mesmo uma deslumbrada. Depois de todo o perrengue e correria para terminar o trabalho a tempo, consegui chegar em GRU sem percalços, socializei, resolvi tudo... e graças ao BrunoC estou aqui navegando wi-fi de graça. Ah, os amigos influentes e o laptop da empresa. Ah. Adoro. A viagem já começou bem, fiquei até com menos mau humor com o pior aeroporto da face da terra (GRU)...

GRU

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Keep your seat belts fastened

"If I can make it there, I can make it anywhere..."

São só dois dias in old New York, mas a empolgação cresce a cada minuto. Mil coisas para ver, fazer e aproveitar, tão pouco tempo... O programa principal será matar as saudades da Jaime, que eu vou ver em seu habitat natural pela primeira vez. O segundo será comprar minha câmera fotográfica nova e o terceiro é dar uma boa reforçada no guarda-roupa. Ah, e fotos, claro. Fotos nos melhores lugares da ilha, fotos com pessoas, das pessoas, do parque. Fotos do frio e das amigas.

A câmera nova deve ser uma Canon S3 IS, de acordo com a inestimável consultoria do meu guru fotográfico e o voto favorável da minha outra guru da fotografia. Estou empolgada, parece ser uma excelente câmera para iniciantes. Fotografia é uma paixão antiga, que eu nunca segui direito. Mas que graças ao Flickr estou retomando com muito gosto. E a ida aos EUA cai como uma luva para dar um incentivo extra. Câmera nova e tripé, uma belezura.

Depois vem a séria Boston com mil e uma atividades de trabalho. Mas com alguns momentinhos de folga, quando espero rever os lugares que me deixaram feliz em 2005. Vai ser estranho andar de novo por aquelas ruas e lembrar que há menos de dois anos eu tinha uma outra vida. Eu ainda consigo resgatar muito bem as sensações que tive por lá, o primeiro laptop, as saudades inexplicáveis, as ligações carinhosas, a ida gripada e com dor, a volta cansada e principalmente a recepção especial no Galeão.

Desta vez, será GRU, travesseiro de pescoço, cartão de milhagem, tapa-olho e cansaço o suficiente para me fazer acordar só em Newark. Melhor por vários aspectos, pior por outros tantos. Como a vida. E lá vou eu com a minha malinha creme roubada da família. Nada me deixa mais animada do que uma viagem =)

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Quinta-feira, Abril 19, 2007

Born to be my baby

Alguém me ajuda, por favor. Eu tô ouvindo BON JOVI. É. BON JOVI:

bon-jovi.jpg


Assim, do nada. 'CAUSE YOU WERE BORN TO BE MY BABY AND BABY I WAS MADE TO BE YOUR MAN. Eu me lembro de 1992, as camisetas rasgadas, os cabelos propositalmente descabelados, a calça jeans furada com a tesoura de casa, a coreografia que eu e minha irmã inventamos para a música... BUT I BET HE MUST HAVE HAD A PLAN. E os namorados, lindos, emocionados com a homenagem. E nós cantando na garagem do prédio e no meio da rua e dando mais atenção para o amigo do que para os respectivos, só de pilha.

Ai, a juventude. Mesmo assim nada justifica o fato de que eu achava aqueles cabelos e roupas aceitáveis. NÃO, NÉ, MINHA GENTE. Por que eles andavam sempre com um cachecol pendurado no pescoço, que nem o Aerosmith? Não. Help, tô surtando.

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Macro


Fiquei orgulhosa. Essa coisa dos 365 dias em fotos é legal demais...

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Segunda-feira, Abril 16, 2007

Não fui

ArmárioNão fui à academia
Não fui para Porto Alegre
Não fui ao médico
Não fui para Florianópolis
Não fui ao churrasco
Não fui à Lôca
Não fui ao Rio
Não fui à festa de aniversário da madrinha da amiga
Não fui ao cinema
Não fui à manicure
Não fui fazer caminhada
Não fui na costureira

Mas fui à Peg e Faça e finalmente comprei uma estante para o quarto e um armário para a cozinha. Estou tão orgulhosa de mim mesma que até postei fotos da montagem no Flickr, apesar da baixa qualidade. É preciso frisar que a montagem jamais teria sido possível sem a inestimável ajuda da super-mulher Lijam. Ela foi devidamente paga em latinhas de Skol estupidamente gelada.

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Sexta-feira, Abril 13, 2007

Kiss and tell

Hoje é dia do beijo. Também é dia do azar. Beijo ou azar?
Ou ambos?
Que azar beijar?
Ou azar o seu que não beija?
Eu beijo.
E não beijo.
E beijo de novo, só com os olhos.
Que azar.
Que beijo.
Que vontade de beijar, mas que medo do azar.
Quanto azar!

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Domingo, Abril 08, 2007

Wheels

Pode ter sido quando eu pisei no calçadão pela primeira vez. Talvez tenha sido quando encostei as mãos no guidão da bicicleta. Ou ainda quando o primeiro gole de água de côco gelada chegou na minha garganta. Realmente não sei.

Há tardes em que as coisas são assim: você está há muito tempo sem sentir e de repente vem o tsunami. A maresia, o sol, o vento, o calor, o suor, a borracha do guidão, a borracha dura do selim, a camiseta branca, o chinelo de dedo, a areia que consegue entrar em quase todos os lugares. Há também tudo aquilo que é inexplicável e clichê, tudo o que entra como informação visual e é imediatamente transformado em emoção.

Sorri em silêncio. Pedalei. Sorri mais e acelerei.

Por falta de prática, perdi o controle dos pedais com pontas afiadas de ferro e logo meus dois calcanhares estavam cobertos de sangue. Não havia dor de verdade, só o sangue muito vermelho e quente pintando os calcanhares como tinta guache. O fluxo do líquido foi puxando mais líquido dentro do meu corpo até que os nós da minha garganta foram se desatando. Finalmente, pensei. Liberdade. Alívio.

Respirei fundo, continuei pedalando até chegar na areia. Larguei a bicicleta no chão mesmo, quem se importa?, fui correndo pela areia, que entrava nos machucados. Antes de mergulhar os pés na água gelada, olhei para eles e vi os calcanhares pintados. Bonitos, pensei. Sorri e pulei com os dois pés juntos dentro da água, sentindo aquele choque gelado percorrer meu corpo.

Eu estou viva, quis gritar.

Sorri debaixo d'água e prendi a respiração. Deixei o frio me abraçar até que não o sentia mais. Voltei, retomei o caminho, a bicicleta, a vidinha. Voltei sorrindo para mim mesma. Voltei e vi a velhinha corcunda, vi o menino de rua, o casal estrangeiro, as prostitutas, as moças de família, as crianças suburbanas, os vendedores de matte e queijo coalho. Vi os barcos dos pescadores, os iates, os soldados. Vi os hippies e os surfistas. Vi a juventude dourada e os caras das gangues. Vi os mendigos e o entregador da lavanderia. Vi e sorri como uma boba, como se entendesse a vida.

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Sexta-feira, Abril 06, 2007

Tell me that you’ll open your eyes

"I want so much to open your eyes
Cos I need you to look into mine
"

Snow Patrol me deu uma mega rasteira essa semana. Eu estava comportada no banco de carona de um amigo em São Paulo, voltando para casa depois de um longo dia. Talvez tenha sido o cansaço que me fez prestar atenção na música que saia do rádio. Achei bonita, apesar de um pouco dance music demais. Descobri que era um remix, fui correndo para o Soulseek quando cheguei em casa. Em menos de meia hora eu estava ouvindo a versão original.

E *PAF*...

Ainda não sei explicar. Mas tem músicas que fazem isso comigo. Músicas e artistas. Ultimamente tenho feito uma enxurrada de descobertas graças aos amigos ou situações inusitadas como essa. Nesta onda vieram: Amy Winehouse, Fiona Apple, Manu Chao, Ani DiFranco, Snow Patrol, Gogol Bordello, Brazilian Girls... E o leque vai se abrindo cada vez mais.

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Quinta-feira, Abril 05, 2007

CGH-SDU

Gatos pingados

E não é que Congonhas estava tranquilíssimo hoje de manhã? Não só consegui embarcar sem problemas, como nem peguei fila para o check-in da Gol. Ainda bem, porque eu sou lesada o suficiente para comprar uma passagem para 04 de abril e aparecer no aeroporto no dia 05... Felizmente a atendente teve compaixão suficiente para me colocar no vôo hoje, mais cedo, e não cobrar nada \o/

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E o avião vazio... Parece que nem a promoção de R$ 50 conseguiu animar as pessoas a viajar na Páscoa. Sorte minha! Tem mais mil e uma fotos do céu bonito no Flickr.

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Ready? Set? Go!

Laptop - Check
Celular - Check
Travesseiro de pescoço - Check
Tapa-olho - Check
iPod - Check
PSP - Check
Livro - Check
Caderno - Check
Cartão de embarque - Check
Documento - Check

Hoje começa a Helena World Tour - Abril 2007. Acabo de me vestir de "serial traveller" para poder encarar o tranco. On the road again. And again. And again. O que é melhor do que permanecer em movimento constante quando se está com a cabeça travada na tela azul? Lá vamos nós. Corre corre corre corre para visitar Nix, Dudu e Jaime. Corre corre corre corre para ver o Pão-de-Açúcar, o Gasômetro, o Empire State e Harvard. Corre corre corre para tirar fotos. E corre corre corre corre para voltar pra GRU. Corre corre corre corre para poder ficar quatro dias parada, quase imóvel. Corre corre corre para matar saudades e experimentar novidades.

Talvez abril seja o melhor dos meses.

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Quarta-feira, Abril 04, 2007

Soul mate

Sabe aquela pessoa que você conhece há pouco tempo, mas que te entende? Que parece que lê teus pensamentos e completa tuas frases?

Pois é. A Fiona Apple é uma delas. Mas felizmente não é a única.
(não que eu efetivamente conheça a Fiona Apple. mas você entendeu, vai)

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