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Quarta-feira, Outubro 31, 2007

Viajante

Não é verdade que não há felicidade no mundo, eu sei. É que, em comparação com os infelizes e miseráveis, as pessoas felizes são raras. Observo as pessoas que passam por mim na rua como se estivesse invisível, reparo impunemente nas expressões das bocas e olhos. Uso alguns segundos para imaginar o que se passa pela cabeça de cada um e sigo em frente, no mesmo ritmo.

A maioria está séria. Os grupos sorriem, mais ou menos de acordo com a intimidade ou o avançado da hora. Há as moças que choram na rua. Há os homens tímidos, os distraídos. Os únicos que devolvem o olhar inquisitivo são os homens tarados e as mulheres inseguras.

Coro quando sou pega no flagra neste voyerismo inocente. Quantas vezes não fui eu o objeto de curiosidade, quando a música alta nos fones de ouvido me impele a dançar enquanto ando ou quando a vida não me deixa esperar a chegada ao ninho antes que desabe alguma torrente de lágrimas por qualquer motivo fútil que me deixa triste.

Hoje mais uma vez fui descoberta nessa observação cotidiana, uma mocinha jovem que me olhou com uma mistura de desapontamento e desafio. Nos poucos segundos em que a vi, ela esperava um ônibus na beira de estrada. Eu estava em um ônibus num estranho engarrafamento interestadual. Ah, a modernidade. Naquele momento eu senti todo os quilômetros de distância física e psicológica entre nós, me senti um pouco censurada, me senti questionada.

É uma bela tarde de primavera na Rodovia Dutra, eu fugi dos relógios e me engasgo com a vista ainda estonteante do alto da Serra do Mar. De longe, o Rio de Janeiro ainda é lindo. De perto também, mas é uma beleza cada vez mais seletiva.

Eu estou aqui, mas também estou no futuro. O futuro é o meu brinquedo favorito, mesmo quando parece um emaranhado insolúvel. Eu sonho com alguns mimos possíveis, alimento o gremlin feliz e bonzinho que vive no meu estômago. Hoje eu ouço a playlist de músicas para dançar porque estou feliz. Eu gosto de estar em trânsito, in between. Aqui no meu cantinho confortável do ônibus, eu ouço minhas músicas, olho a paisagem, tiro fotos e escrevo sem me preocupar em mostrar. Aqui eu não mostro nada, mas demonstro tudo para os desconhecidos passageiros.

Aqui eu estou sozinha, mas não solitária. Toda uma vida ficou no Rio, toda outra vida me espera em São Paulo.

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Segunda-feira, Outubro 22, 2007

Windows vs. Mac OS - a minha versão

Hoje recebi um link sobre como quem não usa Mac OS é preguiçoso e imbecil. Esse tipo de coisa mexe com os meus brios, porque não é verdade. Cada sistema operacional é uma escolha que significa abrir mão de alguma coisa. E cada escolha consciente tem suas razões e elas devem ser respeitadas.

Minha resposta malcriada, uma pequena explicação de um dos aspectos que me fez vender o meu ex-amado macbook:

Fui usuária de PC durante mais de 10 anos, cheguei a usar Red Hat também, eu gosto de brincar com o computador. Eu sou o tipo de garota que se diverte instalando sistema operacional e formatando HD. Sempre tive o fetiche de Apple, porque os produtos Apple são realmente lindos, leves e robustos, além de lançar tendências.

Daí eu finalmente investi UMA GRANA PRETA num macbook. E, apesar de ser chip Intel, fiquei naquelas de que a grana extra que paguei por ser um Apple não me permitia colocar o Windows nele.

Foram oito meses de convivência quase pacífica, apesar do MacOSX travar SIM. Mas, sinceramente, foi um saco. Eu sou uma viciada em computador, portanto sou como aquelas velhinhas que têm um amor incrível pela disposição dos bibelôs na cristaleira. Eu quis (e tentei muito) fazer o MacOS ser o mais perfeito possível da minha configuração ideal... e ele falhou FEIO.

Um dos principais problemas é o gerenciador Finder, que é uma caquinha sem cerimônias. Outra coisa que me irritou deveras são as limitações das versões Mac dos programas que eu usava. Tipo: eu doida pra estreiar a genial iSight, mas o MSN versão Mac não suporta videoconferência. Esse é só um exemplo bobo de uma série de pequenas irritações que acabaram me fazendo pensar "por que diabos eu paguei 700 dólares a mais nesta máquina se não consigo que ela se comporte do meu jeito?"

Pensei em instalar o Windows e ter o melhor dos dois mundos, mas sinceramente não vale a pena. Pra isso eu compro um note beeeem mais barato com configuração semelhante ou melhor e taco um dual boot de windows e ubuntu.

E assim foi. Minha conclusão é que usuário fanboy de mac é tudo n00b, foi mal. Preguiçosos são eles!

(Eu uso Windows sem anti-vírus - mas com anti-spyware - há 4 anos e nunca fui infectada. É questão de comportamento, minha gente!)

Enfim, é isso.

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Bom ou ruim?

Testei minha conexão hoje, no Speedtest.net, e o resultado foi este:

Tenho o Virtua 4mb em São Paulo, região central.

O resultado é bom? Hoje a conexão tá meio instável...

Via pedido do ericmessa no Twitter.

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Quinta-feira, Outubro 18, 2007

É hoje!

Lançamento do livro de Cição em SP...



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Quarta-feira, Outubro 17, 2007

Dia feliz

Ontem eu vendi meu computador, o tal macbook que venho anunciando há meses. Dinheiro na conta é uma lindeza, computador já entregue. Tudo muito rápido, no fim das contas. Nem deu tempo de pensar que não tenho mais onde baixar meus torrents e músicas. E agora sincronizo o iPod temporariamente no computador da firma.

Se a memória não me falha, é a primeira vez desde 1993 em que fico sem computador novo antes de me desfazer do velho. No máximo passei alguns dias com o computador quebrado, mas nunca SEM. E não estou nervosa, o que é impressionante.

Vou procurar um desktop bom e barato, com calma. E daí, se tudo der certo, minhas costas não vão mais doer tanto. Vai ser bom poder ter o meu feudo da forma como EU QUISER. Com a configuração que me der na telha - e tudo isso podendo ser alterado a qualquer momento. Quem diria que eu viria a pensar num desktop como liberdade?

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Segunda-feira, Outubro 15, 2007

Por que não?

What Kind of Blogger Are You?

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Domingo, Outubro 14, 2007

A idade



Algumas coisas na arte requerem idade e vivência para que a gente apreciei. Isso não significa que todo mundo descobre o valor da obra com a mesma idade, mas é preciso preencher determinados requisitos para entender e apreciar. Para alguns isso vem de berço, para outros leva tempo.

Levei tempo para entender e amar Edith Piaf. Recomendo fortemente o filme sobre a vida dela que está rolando nos cinemas, é lindo demais. Todo ele se justifica pelo final, o que não significa que o começo e o meio não são interessantes. Eu sempre me impressiono com histórias trágicas em que as pessoas atingidas seguem vivendo e conseguem se tornar maiores do que aquela(s) dor(es).

A transformação da dor em arte é um dos mistérios mais interessantes da vida, algo que me deixa completamente hipnotizada. Eu não entendo, talvez por isso admire tanto. E a Edith era completamente admirável, mesmo se fosse um tanto bêbada e sem modos, heh.

E a trilha sonora é imbatível.

A Piaf ratinha dos esgotos de Montmartre, a Piaf bebê desamparado, a Piaf viciada, a Piaf apaixonada e a Piaf velha cheia de lembranças que não consegue controlar.

Deve ser estranho ser atacado constantemente por lembranças de décadas atrás, minúcias que a vida adulta tinha esquecido, mas que a idade avançada recupera. Mas o que deve ser melhor mesmo é passar desta para a melhor com Non, je ne regrette rien na cabeça, concordando com toda a letra e cantando a plenos pulmões no mundo da imaginação.

Non, je ne regrette rien.

Um dia ainda vou dizer isso.

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Quinta-feira, Outubro 11, 2007

Brisa

Há muito a ser dito sobre uma tarde de música em casa, com brisa agradável e temperatura idem. Coca light, iTunes e pausas de silêncio para ouvir os sons das donas de casa.

Hoje foi um bom dia.

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Quarta-feira, Outubro 10, 2007

All I Need

Hoje saiu o novo disco do Radiohead e eu já estou apaixonada.

I'm the next act
Waiting in the wings
I'm a flash flood
Running through your ground floor
I am all things
That you choose to ignore

You are all I need
You are all I need
I'm in the middle of a picture
Lying in the leaves

I'm a cloud of moths
Who just wants to share your light
I'm an insect
Who wants to get out of the night

You only stick with me
Because there are no others

You are all I need
You are all I need
I'm in the middle of a picture
Lying in the leaves

It's all wrong
It's all right
It's all wrong

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Relembrando o casório do Bruno & Fê







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Terça-feira, Outubro 09, 2007

Jonestown

Este fim de semana vi o documentário Jonestown: The Life and Death of Peoples Temple, cortesia de filme. Fiquei impressionadissima, eu não conhecia a história do People's Temple nem do Reverendo Jim Jones. Psicopata Jim Jones. O documentário conta com detalhes a tragetória deste americano que criou uma das seitas mais populares das décadas de 60/70 em São Francisco, mas que terminou no maior suicídio em massa da história.

É impressionante como tem material original da época registrado. Vídeo, áudio, entrevistas... até o último dia da seita na cidade-isolada-na-floresta foi filmado. Inclusive a presença da equipe de filmagem foi parte do motivo do imbecil e assustador suicídio em massa.

O documentário mostra de forma bem interessante o caminho psicológico de encontrar uma nova religião ou seita libertadora até chegar na prisão psicológica e física que só encontra saída no suicídio. O que mais me impressionou (e deixou aquela sensação de cabelos em pé) foram os depoimentos dos sobreviventes lembrando de como era a vida no People's Temple. Gente que perdeu mãe, pai, irmão, marido, mulher, filhos, bebês, primos, tudo de uma vez só... e ainda consegue dizer que foi "um sonho bonito", "pelo menos nós tentamos".

Medo.

Vale muito a pena procurar ver. Eu mesma já peguei para assistir de novo com mais calma. E não tem nenhuma imagem muito grotesca, é mais o terror de pensar no acontecido.



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Segunda-feira, Outubro 08, 2007

2 anos

Em 11 de setembro de 2005, cheguei a São Paulo. E neste ano eu esqueci completamente do aniversário de dois anos da nova cidade. Vai ver porque não parece mais uma novidade, vai ver porque eu estou relativamente estabilizada aqui.

Vai ver é porque simplesmente não dá para tirar nenhuma conclusão deste segundo ano, porque ele ainda não terminou de verdade. Em 2007 eu estava andando na rua e perdi uns cinco meses do ano.

Agora é hora de aproveitar o quase calor, o quase verão, as quase férias, o quase fim de ano para ficar com as pessoas queridas, que estão todas num clima intenso de primavera e polenização.

Já que perdi 2007, que venha 2008 - e o terceiro ano paulistano.

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Sexta-feira, Outubro 05, 2007

Nasceu!

Nasceu o primeiro clipe do Cabaret: Rockstar Baby.

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Relembrar é viver

Eu não lembrava que este clipe era com o Jason Lee!



Ah, os tempos de Gás Total e Lado B... A lista completa está aqui.

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Segunda-feira, Outubro 01, 2007

Confirmação

Eu sou uma imbecil completa. Em vez de ver o que tava do lado, eu olhei para cima.

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