.de verdade
algumas coisas são de verdade, outras são de fachada. na minha vida, essas coisas são todas de cabeça para baixo. a verdade normalmente vem dos silêncios, dos buracos escuros, das furadas, de tudo o que nunca poderá ser planejado.
e as fachadas chegam sempre acompanhadas de preparação, cuidado, produção, expectativa. fachadas que são as verdadeiras furadas porque não têm verdade nenhuma. fachadas desprovidas de personalidade, ocas, de isopor. eu vejo todo o isopor por debaixo da pintura e lamento.
eu sei que é fachada só para mim. eu vejo a crença no brilho dos olhos ao meu redor. e lamento, pois eu também queria acreditar. queria conseguir me planejar e ficar de olhos marejados de emoção.
mas eu choro de feliz quando estou lá no buraco escuro e quente e sujo com os outros ratos desta vida. me arrasto pelos cantos, olho para os estranhos e sorrio porque estou em casa dentro de mim mesma. em casa como não consigo me sentir sob os holofotes da vida normal.
eu e os ratos, tão diferentes, tão distantes. mas ainda assim, em casa, aqui dentro, confortável. not a crime, not a crime.


1 Comentários:
bonito.
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