.memórias
eu vejo o mundo lá fora assim.
engraçado como as imagens que ficam na cabeça não são o que eu escolheria guardar, se houvesse tal opção. não lembro do sorriso para mim, mas lembro da voz aos berros no meu ouvido. não lembro do rosto, mas lembro do toque. lembro de olhar pelo espelho e ver miragens de muitos anos atrás. alguns sonhos adolescentes realizados, uma vida feita de diversão. até onde eu podia ir? eu fui bem longe e ninguém me interrompeu. mas tive receio de ir até o fim.
não foi o líquido, mas o ar que ele exalava. não foi o vermelho, foi o preto. um mar de preto e branco, branco dentro do preto e saindo pelas frestas, meio sem querer. preto, branco e dourado do sol, no meio daquela escuridão.
suor. é bom, defini. suor que nos enxarca e nos transporta para outra dimensão, onde everything's in the right place.
because we are your friends, you'll never be alone again. dó. muito dó. absorvido por osmose. beijos roubados nas pálbebras enquanto eu era mãe. como mãe, sonhei com a solução mágica que afugentaria todos os demônios para sempre, para que eu nunca mais visse aquela expressão nos olhos cegos. como mãe, quando dói lá, dói aqui também. conexão que você esfrega, nega, mas não lava. eu lavo todos os dias, mas só desbota.
um dia, um dia desses bem frio.
um dia tudo fará sentido.
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1 Comentários:
grande texto.
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