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Segunda-feira, Julho 28, 2008

.a nona na sala

Eu nunca tinha ido à Sala São Paulo, tradicional local de apresentações eruditas na cidade. Quando a Cecília me ofereceu um ingresso de imprensa na mamata, não pestanejei. Todos os ingressos vendidos estavam esgotados há tempos, parece. Era Beethoven ao vivo com Kurt Masur, repeteco do fechamendo do festival de música clássica de Campos do Jordão, onde a Luiza trabalhou.

A casa é linda, linda. Um prédio clássico enorme, reformado com algumas estruturas modernas que, milagrosamente, conseguiram não estragar o visual. Quando chegamos, esbaforidos e atrasados, a orquestra ainda estava socializando com amigos e família no saguão principal. Ufa, que alívio. Encontramos nossos lugares (largos e confortáveis) e lá ficamos. A sala está lotada e o burburinho é constante. Mas quando as luzes diminuem, o silêncio impera.

Entra a orquestra, toda de preto, entra o coral, idem. Entra o regente, um senhor altão que um dia deve ter sido um homem robusto. Barba, carequinha de vô e duas mãos que tremiam. Sim, parece mesmo que ele tem alzheimer, a confirmar.

As primeiras notas já foram um desbunde. E só melhorou. Ouvimos a nona completa, sem intervalos, com uma orquestra gigantes - segundo o apresentador, normalmente a orquestra é diminuída para tocar essa sinfonia, mas o maestro curtiu tanto o trabalho do pessoal que decidiu manter todos. Eram braços e instrumentos que se moviam em sincronia, todos elegantes e concentrados. Em dado momento, entram as vozes principais e lá ficam sentados nos olhando com meio sorrisos até que chegue sua parte.

Perdi a conta de quantas vezes fiquei arrepiada, de quantas vezes senti meus olhos se encherem de lágrimas. Mas não era tristeza, era aquela beleza sem fim e tão diferente do que se vê no dia-a-dia. Algo realmente extraordinário. Da fila N, eu via as dobras do vestido de cetim verde da soprano e me sentia em outro universo. Olhei particularmente para uma violinista oriental, de rabo de cavalo, que se movimentava com tanta intensidade em sua cadeira, dava vontade de se mexer como ela.

O maestro quase não se movimentava, também não usava a baquetinha de condução (isso deve ter um nome, mas não sei qual). Vi ele conduzir com sinais discretos e as mãos trêmulas. Fragilidade explícita, mas nem por isso ele deixou de controlar completamente os mais de 100 músicos presentes.

O coral foi um desbunde. Imenso, forte, impressionante. E todos os detalhes da música podiam ser ouvidos com nitidez, apesar do som poder ter sido ligeiramente mais alto. Não importa, não prejudicou. Foi sensacional, não tem muito mais o que dizer. Reforçou meu amor pela obra de Beethoven e me deu a certeza de que eu tenho que parar de ser bunda-mole e fazer isso mais vezes. Concertos não faltam, falta ir lá e assistir.

Foram mais de 5 minutos de aplausos de pé. O maestro e as vozes entraram e sairam do palco umas 7 vezes para continuar recebendo aplausos. A orquestra saudou o maestro batendo os pés no chão, com sorrisos. E dele vimos sorrisos também, apesar da fragilidade que o fez quase cair do pódio uma vez.

Ao sair de lá, havia apenas o silêncio. Não encontrei palavras para dizer nada, todas elas foram afogadas pela música e os sentimentos que vieram. Levei algumas horas para poder voltar ao normal, mas na verdade acho que nunca vou voltar muito bem ao normal. Ainda bem.

E, depois disso, me recuso a pagar para ver qualquer coisa menos emocionante que isso. Uma palhinha, com Karajan. Mas nenhum vídeo se compara a ver ao vivo.



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Quinta-feira, Julho 24, 2008

.brink

à medida que eu vejo as nuvens promissoras se aproximando, tenho certeza de que tudo - absolutamente tudo - vai mudar.

soon.

Sailor

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Quinta-feira, Julho 17, 2008

.sem


.sem
Originally uploaded by HelenaN

hoje é dia de vista turva, fumaça, fog, olhos cerrados. fora de foco. hoje porque cansei de lutar para concentrar, então aceito a deriva. mesmo que só por hoje.

quando eu sair deste lugar sem janelas, quero encontrar as ruas cheias e silenciosas. quero andar com o vento quase gelado, mas não exatamente. resquícios do pior do inverno que já ameaça ir embora.

talvez todo esse desconforto seja por ter reencontrado uma situação velha, morta, como uma foto com pessoas que ninguém conhece e que já morreram. eu lembro do que sentia, lembro do que populava meus sonhos, lembro da esperança insana e do sorriso incontrolável da paixão. lembro também das febres e da surdez voluntária, que eventualmente levou à cegueira.

ai.

desfoco. tune out. câmbio desligo.

.hold my hand


outro dia fui alertada casualmente. tome cuidado, ouvi. não veja coisa onde não tem. não se engane. não fantasie. não não não.

eu sor-ri. pensei em te falar que era impossível pensar, o quarto já transbordava de outros sonhos adquiridos na coleção passada. e desde então, alertada, observo. de vez em quando considero. mas daí eu lembro... nunca andamos de mãos dadas.

e sem isso, há apenas secura com açúcar. e mais nada.

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Terça-feira, Julho 15, 2008

.the boredom and the freedom



...This is our decision to live fast and die young
We've got the vision, now let's have some fun
Yeah it's overwhelming, but what else can we do?
Get jobs in offices and wake up for the morning commute?

Forget about our mothers and our friends
We were fated to pretend

I'll miss the playgrounds and the animals and digging up worms
I'll miss the comfort of my mother and the weight of the world
I'll miss my sister, miss my father, miss my dog and my home
Yeah I'll miss the boredom and the freedom and the time spent alone

But there is really nothing, nothing we can do
Love must be forgotten. Life can always start up anew...

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Domingo, Julho 13, 2008

.nesting

it is a freedom that you can allow yourself. or not.

há algo de muito misterioso e óbvio na força silenciosa de estar no ninho. há algo de acalentador porque me sinto segura. e, segura, posso me dar ao luxo de não sentir tanta urgência.

daqui de dentro, não me sinto obrigada a correr mais rápido para vencer os concorrentes imaginários. daqui eu posso ter minhas dúvidas, fazer meus planos de ação e simplesmente deixá-los na geladeira até que a calma volte a se apoderar de mim.

daqui eu vejo claramente que eu posso sim me dar ao luxo de não fazer nada e ver o que acontece. algumas raras vezes, é só isso que resta. let go. let it roll, baby, roll.

o que não tem jeito, ajeitado está.

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Sábado, Julho 05, 2008

.frio


.frio
Originally uploaded by HelenaN

faz frio aqui em buenos aires...

Quinta-feira, Julho 03, 2008

.fail

tem mesmo algum parafuso solto por aqui. não estou amando a viagem.