.fotografando
Criei um blog novo só para falar de fotografia, aqui ó.
Marcadores: Fotografia
Criei um blog novo só para falar de fotografia, aqui ó.
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Agora é oficial, estou de mudança. Depois de exatamente 3 anos em São Paulo dividindo apartamento, morando na casa alheia e pulando de flat em flat, eu vou ter o primeiro apartamento alugado no meu nome, só para mim. Vários metros quadrados todos meus, numa parte bem localizada da cidade, perto das coisas que eu gosto.
É a realização de um sonho. Como trabalho de casa a maior parte do tempo, meu lar é meu castelo. E eu tenho mil idéias que agora vou poder começar a colocar em prática. É uma mudança e tanto. O máximo de tempo que fiquei morando sozinha foram 3 meses, num flat fedido. Agora vai ser um apartamento limpo, totalmente vazio, todo meu, pelo menos por um tempo.
Os dois anos em Wembley foram bons, a maior parte do tempo bem feliz. Morar com alguém é sempre um aprendizado, mas desta vez foi também um aprofundamento de amizade. E, agora, dois anos depois e praticamente no mesmo dia em que me mudei para São Paulo, vou finalmente dar o passo e entrar na minha casa que será só minha com coisas só minhas.
Há 3 anos eu me mudava para São Paulo, agora me mudo para o meu apartamento. Uma nova vida começa, num novo ninho. Que venha tudo novo mesmo. É hora de mudar.
Marcadores: me me me
vou.
vou porque é mais fácil pensar em você do que em mim.
vou pois não consigo imaginar escolher não ter isso.
vou sim, já que, apesar de tudo, me sinto honrada.
vou porque você querer me faz feliz.
vou porque eu quero ser feliz.
no fim, é simples. ir me faz feliz. mesmo que seja o mais longe que já existiu.
vou, mas será meu pequeno grande segredo. um daqueles que dá gosto saborear em silêncio.
vou já já.
tô com saudades.
i miss you.
tu me manques.
te estraño.
todos vocês.
Marcadores: me me me
às vezes não há nada melhor do que ser bem honesto e direto.
Marcadores: me me me, postsecret
hoje vou para o rio de janeiro na esperança de matar esse banzo que tá dentro de mim desde buenos aires. vontade de água salgada, areia e sol. vontade de chinelo, biquini e suco. vontade de dias inteiros de óculos escuros. no rio não há o silêncio, mas é preciso se contentar com as coisas boas.
então eu vou lá afogar o banzo no mar azul e sujo de ipanema. ou copacabana, se eu tiver no auge da preguiça. vou lá abraçar a família que me faz tanta falta e andar pelo apartamento que um dia foi todo o meu universo. e, quem sabe, comer uma empadinha do Belmonte, porque ninguém é de ferro, né?

Marcadores: Rio de Janeiro, Viagem
Não digo por aí, mas eu sou dependente da internet. Não é bem um vício, é uma dependência parecida com a que tenho de luz elétrica e água encanada. Coisas que eu presumo que vão estar sempre lá, funcionando. Coisas que estão tão integradas com a minha forma de lidar com o mundo que eu esqueço que não são a ordem natural.
Toda essa convivência gira principalmente em torno da facilidade de comunicação. Email, IMs, VoIP, tudo lindo. E, principalmente por email, eu convivo com muito mais gente do que jamais poderia (por questões de distância e tempo livre) se não houvesse a rede. Assim fiz mil e um amigos, alguns dos quais viraram minha família. Assim entrei para grupos interessantes de gente que gosta de coisas parecidas. Assim consegui montar vários grupos diferentes de amigos que se encontram também fora do mundo digital.
Um desses grupos é a poplist, que só me trouxe benefícios e pessoas que de outra forma eu não teria encontrado. Pessoas que eu amo e pessoas com quem convivo praticamente todos os dias, mesmo que apenas de forma digital.

E hoje uma dessas pessoas faleceu. Eu não tinha muito contato com o Lucianetti, mas sabia quem ele era e a importância que ele teve na formação musical de tanta gente espalhada no Brasil. Nunca tive o prazer de conhecê-lo pessoalmente, mas acompanhava os emails dele na lista, parecia um cara legal. Hoje foi um dia triste para mim e trágico para todos que o conheciam melhor, mesmo que nunca tivessem encontrado ele.
O mundo digital tem dessas coisas, que são difíceis de explicar para quem nunca viveu. Sim, mesmo uma pessoa que você nunca viu ao vivo, de quem nunca viu foto, pode ser extremamente importante. Sim, essa pessoa pode vir a fazer parte de você e te conhecer de forma mais íntima que aqueles que sentam do teu lado todos os dias. O caso do Lucianetti me fez pensar em todos os meus “amigos de internet” e como essa classificação me parece errada. As pessoas que eu encontrei online não são menos amigas porque estão distantes fisicamente. Nem mais. São amigos de acordo com as conversas que temos - on ou offline.
Algumas pessoas eu conheço de longe há mais de uma década. Outros conheço há 1 ano apenas e viraram família. Outros ainda eu falo todos os dias por IMs da vida e são como uma parte do meu corpo. Se sumirem, vou sentir falta como se perdesse um dedo.
Preparei uma galeriazinha em homenagem aos amigos e encontros que sem a internet não aconteceriam. Falta muita gente MESMO, mas é o que dá pra fazer correndo. Homenagem ao Lucianetti, que eu não tive tempo de conhecer direito como ele merecia. Homenagem a todas as pessoas que não são só meus “amigos de internet”.
Marcadores: amigos, internet, nerd, vida
Eu nunca tinha ido à Sala São Paulo, tradicional local de apresentações eruditas na cidade. Quando a Cecília me ofereceu um ingresso de imprensa na mamata, não pestanejei. Todos os ingressos vendidos estavam esgotados há tempos, parece. Era Beethoven ao vivo com Kurt Masur, repeteco do fechamendo do festival de música clássica de Campos do Jordão, onde a Luiza trabalhou.
A casa é linda, linda. Um prédio clássico enorme, reformado com algumas estruturas modernas que, milagrosamente, conseguiram não estragar o visual. Quando chegamos, esbaforidos e atrasados, a orquestra ainda estava socializando com amigos e família no saguão principal. Ufa, que alívio. Encontramos nossos lugares (largos e confortáveis) e lá ficamos. A sala está lotada e o burburinho é constante. Mas quando as luzes diminuem, o silêncio impera.
Entra a orquestra, toda de preto, entra o coral, idem. Entra o regente, um senhor altão que um dia deve ter sido um homem robusto. Barba, carequinha de vô e duas mãos que tremiam. Sim, parece mesmo que ele tem alzheimer, a confirmar.
As primeiras notas já foram um desbunde. E só melhorou. Ouvimos a nona completa, sem intervalos, com uma orquestra gigantes - segundo o apresentador, normalmente a orquestra é diminuída para tocar essa sinfonia, mas o maestro curtiu tanto o trabalho do pessoal que decidiu manter todos. Eram braços e instrumentos que se moviam em sincronia, todos elegantes e concentrados. Em dado momento, entram as vozes principais e lá ficam sentados nos olhando com meio sorrisos até que chegue sua parte.
Perdi a conta de quantas vezes fiquei arrepiada, de quantas vezes senti meus olhos se encherem de lágrimas. Mas não era tristeza, era aquela beleza sem fim e tão diferente do que se vê no dia-a-dia. Algo realmente extraordinário. Da fila N, eu via as dobras do vestido de cetim verde da soprano e me sentia em outro universo. Olhei particularmente para uma violinista oriental, de rabo de cavalo, que se movimentava com tanta intensidade em sua cadeira, dava vontade de se mexer como ela.
O maestro quase não se movimentava, também não usava a baquetinha de condução (isso deve ter um nome, mas não sei qual). Vi ele conduzir com sinais discretos e as mãos trêmulas. Fragilidade explícita, mas nem por isso ele deixou de controlar completamente os mais de 100 músicos presentes.
O coral foi um desbunde. Imenso, forte, impressionante. E todos os detalhes da música podiam ser ouvidos com nitidez, apesar do som poder ter sido ligeiramente mais alto. Não importa, não prejudicou. Foi sensacional, não tem muito mais o que dizer. Reforçou meu amor pela obra de Beethoven e me deu a certeza de que eu tenho que parar de ser bunda-mole e fazer isso mais vezes. Concertos não faltam, falta ir lá e assistir.
Foram mais de 5 minutos de aplausos de pé. O maestro e as vozes entraram e sairam do palco umas 7 vezes para continuar recebendo aplausos. A orquestra saudou o maestro batendo os pés no chão, com sorrisos. E dele vimos sorrisos também, apesar da fragilidade que o fez quase cair do pódio uma vez.
Ao sair de lá, havia apenas o silêncio. Não encontrei palavras para dizer nada, todas elas foram afogadas pela música e os sentimentos que vieram. Levei algumas horas para poder voltar ao normal, mas na verdade acho que nunca vou voltar muito bem ao normal. Ainda bem.
E, depois disso, me recuso a pagar para ver qualquer coisa menos emocionante que isso. Uma palhinha, com Karajan. Mas nenhum vídeo se compara a ver ao vivo.
Marcadores: beethoven, concerto, Música, música clássica, são paulo
à medida que eu vejo as nuvens promissoras se aproximando, tenho certeza de que tudo - absolutamente tudo - vai mudar.
soon.

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.sem
Originally uploaded by HelenaN
hoje é dia de vista turva, fumaça, fog, olhos cerrados. fora de foco. hoje porque cansei de lutar para concentrar, então aceito a deriva. mesmo que só por hoje.
quando eu sair deste lugar sem janelas, quero encontrar as ruas cheias e silenciosas. quero andar com o vento quase gelado, mas não exatamente. resquícios do pior do inverno que já ameaça ir embora.
talvez todo esse desconforto seja por ter reencontrado uma situação velha, morta, como uma foto com pessoas que ninguém conhece e que já morreram. eu lembro do que sentia, lembro do que populava meus sonhos, lembro da esperança insana e do sorriso incontrolável da paixão. lembro também das febres e da surdez voluntária, que eventualmente levou à cegueira.
ai.
desfoco. tune out. câmbio desligo.